Os livros que eu gostaria de ter publicado em 2009 mas foram publicados por outros - (3)


Luiz Pacheco - Luiz Pacheco - Dom Quixote

Ainda não pus os olhos em cima desta volume mas sendo o catálogo onde se anuncia reunir tudo o que Luiz Pacheco deu à estampa promete. Espero apenas que a edição não padeça da doença patente no textod e apresentação do livro no sítio da editora.

Luiz Pacheco é, para mim, dos homens mais lúcidos deste século que passou no nosso país de gente cada vez menos iluminada. Era também um dos poucos intelectuais lusos com sentido de humor. A importância da sua obraé incontornável e em muito menos páginas consegue colocar a um canto os seus colegas de movimento e época da mesma maneira como faz o retrato perfeito do país e da sua evolução para o bem e para o mal.

Memórias fotobiográficas de Camilo Castelo Branco - José Viale Moutinho - Caminho

Um volume essencial para os estudos camilianos e para o retrato concreto do maior escritor português do século XIX. Este livro tê-lo-ia publicado por capricho.


Cidade de ladrões - David Nenioff - Dom Quixote

Esteve nas minhas mãos ainda na edição inglesa em finais de 2008. Teria sido e era uma das minhas apostas na Cavalo de Ferro e depois na Fundação Agostinho Fernandes e fez ainda parte dos meus planos para outras editoras.

Apesarde integrado na colecção Ficções Universais da Dom Quixote, trata-se de um livro eminentemente biográfico em torno da história de vida do avô do escritor. É uma história simples, mais uma, sobre a irracionalidade da guerra. Durante o cerco a Leningrado o avô do narrador, então um jovem rapaz, é preso pelas forças militares por engano. Depois de uma noite na prisão com outro jovem, um soldado desertor, uma noite onde esperam pela manhã que trará a execussão sumária que era a única forma de um exército reduzido garantir a segurança da cidade, são levados ao comandante das forças militares que lhes faz uma proposta: as suas vidas em troca de ovos frescos para o bolo de casamento da sua filha.

E assim começa uma odisseia louca através de uma cidade gelada onde não há comida (quanto mais ovos frescos) e é o começo de uma história que uniria os dois protanonistas ao longo da vida.

É uma história simples e bem escrita, a sua qualidade maior reside no valor da história e no exemplo daquilo que de pior e melhor o ser humano é capaz. É também uma história que revela o quão surreal a realidade consegue ser.

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