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Livros do Ano 2014

0 comentários terça-feira, 23 de dezembro de 2014
Como de costume, seguem as minhas escolhas. Como de costume escolho apenas de entre o que já li (na edição portuguesa ou noutras línguas antes de traduzido). Como de costume a ordem nada significa.

- Outras vozes, outros lugares de Truman Capote (Sextante). O romance de estreia de Capote e provavelmente a melhor coisa que escreveu.

- Karl Marx de Isaiah Berlin (Edições 70). A vantagem de uma biografia que foi sendo actualizada edição atrás de edição e aquilo que a torna num objecto único é a evolução da perspectiva do autor e da perspectiva sobre Marx ao longo de boa parte do século XX.

- A Invenção do Amor de José Ovejero (Alfaguara). Uma pequena pérola literária sobre as histórias que inventamos para nos embalarmos.

- Duzentos poemas de Emily Dickinson (Relógio d'Água). E. Dickinson é "a minha poetisa". Não posso dizer muito mais. Boa tradução.

- O Homem Verde de Kingsley Amis (Quetzal). Um dos meus livros preferidos de K. Amis. Uma história sobrenatural em que o mal toma conta da vida de um estalajadeiro do interior do reino unido. De certa forma é uma versão do "Castelo do homem ancorado" de Huysmans.

- 60 histórias de Donald Barthelme (Antígona). Barthelme é um pesadelo de para traduzir e nesta antologia como na anterior conseguimos, ainda assim, apanhar o essencial de um escritor que rompe os limites da ficção.

- Restaurante canibal de Gabriel Magalhães (Aletheia). Um "divertimento" de Gabriel magalhães que, como de costume, surpreende pela leveza da sua prosa.

- História e Utopia de E. M. Cioran (Letra Livre). Uma obra essencial do pensamento moderno.

- Jardins de cristais de Sérgio Rodrigues (Gradiva). Apesar de ser muito "tese" ainda assim um belíssimo livro. Um daqueles livros que só aparecem raramente mas ficam como referência.

- Notícias em três linhas de Félix Fénéon (Exclamação). Se eu tivesse de escolher um livro do ano, este seria um provável candidato. Bela estreia para a colecção dirigida pelo Rui Manuel Amaral. (ah, e sim, o micro-conto tem bem mais de 100 anos mas essa conversa ficará para segundas núpcias.)

- Mar de Afonso Cruz (Alfaguara). Novo tomo da enciclopédia que Afonso Cruz tem vindo a escrever. Sempre original.

- Diários de George Orwell (Dom Quixote).

- Obcénica de Hilda Hilst e André da Loba (Orfeu Negro). O livro mais fresco do ano.

- A Conversa de Bolzano de Sándor Márai (Dom Quixote). Um dos maiores romances da literatura europeia moderna. O romance fundamental de Márai. Não li esta tradução.

- A Imperatriz Viúva - Cixi, a Concubina Que Mudou a China de Jung Chang (Quetzal). Uma das biografias do ano; a autora de Cisnes Selvagens, revela a importância da mulher que segurou a China impedindo o seu estilhaçar. Não li esta tradução.

- Um bárbaro em casa de Frederico Pedreira (Língua Morta). Os primeiros dois contos estão mal revistos mas mesmo assim a leitura prende. Li poucos autores nacionais este ano mas este livro foi um dos melhores e uma boa surpresa.

- A estrada para Oxiana de Robert Byron (Tinta-da-china). Quiçá o melhor livro da magnífica colecção dirigida pelo Carlos Vaz Marques. Só não o digo expressamente porque não li todos. Não li esta tradução.

- Ética mínima de António Fidalgo (Gradiva). Um livro do qual ninguém escreveu e que passará despercebido mas que devia ser manual para a todos os portugueses.

- Nove História de J. D. Salinger (Quetzal). Mais um exemplo da escassa obra de Salinger que comprova o seu génio. Não li esta tradução)

- Contos e diários de Isaac Babel (Relógio d'Água). Aqui há uns anos atrás quase incluí o livro de contos de Isaac Babel publicado pela mesma editora na minha lista de livros do ano e não quis deixar de lado a oportunidade de comentar que me incomodava o facto de ser uma selecção de 300 e tal páginas quando os contos completos do autor tinham pouco mais de 400 páginas. Presumo que esta seja a edição completa acrescida dos Diários. Um livro essencial da literatura moderna. Não li esta tradução.

- O visitante da noite & outros contos de B. Traven (Antígona). O misterioso B. Traven, um dos maiores enigmas da literatura moderna, volta às livrarias décadas depois da edição da sua obra-prima. Eu estive quase a apanhar o autor quando estava na Babel. Fico contente que apareça finalmente em português e espero mais obras. Não li esta tradução.

- Obra Escrita. Volume I de João César Monteiro (Letra livre). Como é que, até agora, este livro não apareceu em nenhuma das listas de livros do ano?? Façam-se o favor de comprar e deleitem-se.

- Nós, Os Afogados de Carsten Jensen (Bertrand). Romance narrado por uma aldeia. Épico marítimo, história de navegadores, uma saga nórdica moderna. Não li esta tradução mas como é do João Reis, deve ser boa.

- Contos e Novelas de Saul Bellow Vol 1  (Relógio d'Água). Mais outro livro ignorado em quase todas as escolhas do ano. Não li esta tradução.

- A casa azul de Cláudia Clemente (Planeta). Romance de estreia da Cláudia Clemente que se narra a 4 vozes que correspondem aos elementos e constroem um puzzle que atravessa a história de Portugal durante o regime salazarista e após. Lê-se como um policial em que o crime é a paixão (seja ela pelo cinema ou por seres humanos).

- Autobiografia de Thomas Bernhard (Sistema Solar). A Sistema Solar continua a tradição editorial da A&A na publicação T. Bernhard com a edição da biografia literária do ano.

- Uivo e Outros Poemas de Allen Ginsberg (Relógio d'Água). Deve ser complicado para os críticos falar do livro de poesia mais lido da história da literatura americana, imagino que o silêncio nas escolhas do ano se deva à dicotomia difícil de resolver entre um livro comercialmente bem sucedido e o facto de ser poesia. Não li esta tradução.

- A Sombra da Rota da Seda de Colin Thubron (Bertrand). Para rivalizar com o livro de Robert Byron. Talvez o melhor livro de viagens publicado este ano; o de Byron é já um clássico, este provavelmente virá a sê-lo. Não li esta tradução.

- Stoner de John Williams (Dom Quixote). Nunca imaginei ver este livro publicado entre nós. Parabéns a quem teve a coragem de o editar. John Williams, juntamente com Richard G. Sterne são aquilo que a crítica americana costuma designar por "writers' writers" ou seja, escritores para escritores. Stoner é o melhor livro de Williams e um dos poucos romances modernos americanos dignos de nota.

- Os luminares de Eleanor Catton (Bertrand). Um calhamaço como já não sói. Um romance como já não sói. Vencedor do Booker há um ou dois anos atrás, o livro da canadiana nascida na Nova Zelândia (ou será que é o contrário?) é um objecto estranho na literatura moderna, um grande romance paisagem sobre um crime e a sua investigação numa pequena cidadezinha onde um aparente crime une todos os homens de poder de uma comunidade em formação no salão de um hotel e um estranho acabado de chegar se propõe a ouvir a história que cada um tem para contar. Grande livro, em todos os sentidos. Não li esta tradução.

- Sobre a violência de Hannah Arendt (Relógio d'Água). H.Arendt é provavelmente uma das vozes mais importantes do século XX. magnífico é que vão aparecendo livros seus, revelando espantosamente a sua actualidade (e não estou a falar de situações concretas,a violência de que fala a autora e tudo o que aborda é sempre supra histórico ainda que baseado na vivência que teve de momentos de viragem na história do século XX).

- Contos Reunidos de Aldous Huxley (Antígona). Huxley tem vindo a ser posto um pouco de lado sem qualquer justificação. A Antígona está, felizmente, a salvá-lo do oblívio. Não li esta tradução.

- O Demónio na Cidade Branca de Erik Larson  (Bertrand). Brilhante livro de história narrativa e investigação histórica que segue o caso verdadeiro de uma perseguição a um serial-killer em pleno auge do nazismo. Lê-se como um romance apesar da riqueza de pormenores e informações. Não li esta tradução.

_______________________________

Por último apenas uma nota: ouvi a notícia no começo do ano que seria apresentada uma tradução do notável "Anatomia da Melâncolia" de Demócrito, o Novo (pseudónimo do monge Robert Burton). Cairam-me os queixos. É um dos meus clássicos de eleição mas, bolas! tem quase 1000 páginas. Eis portanto a minha surpresa quando vejo uma edição que mal chega às 200 páginas publicada pela Quetzal.

Creio que já o disse em tempos mas não gosto de versões condensadas. esta edição pretende ser uma espécie de best-of, uma antologia dos melhores momentos mas isso não se pode fazer a um livro que flui como um todo (muito menos a um livro que não está disponível na sua completude no nosso mercado). Gaste-se dinheiro noutra qualquer edição e não se façam crimes destes.

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Livros do Ano 2013

0 comentários segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
Nos últimos anos tenho vindo a fazer grandes selecções de livros do ano. É-me difícil restringir os melhores a 10 ou 15 (ou 5 ou 3). Este ano, contudo, foi mais fácil. Li muito poucas novidades e andei pouco atento ao que se publicava por aí. Aproveitei para ler imensa coisa que tinha comprado nos últimos anos e que estava parada nas estantes.

Cá vai portanto a minha selecção dos livros do ano. Como sempre, estão incluídos apenas livros que li na edição portuguesa mencionada ou que conheço de ler noutras línguas. A ordem não tem qualquer relevância.

Afonso Cruz
Para Onde Vão os Guarda-Chuvas
Alfaguara

O Afonso Cruz não falha e mantém-se nas minhas escolhas anuais.


Fernando Esteves Pinto
O Carteiro de Fernando Pessoa
Parsifal

Já o tinha publicitado por aí. Um dos meus livros do ano sem qualquer dúvida. O fernando consegue sair do seu registo sem sair do seu espaço e entra na cabeça dos moradores da Rua Coelho da Rocha para uma intriga de desejos e crimes que explica mais de Pessoa que muito ensaio por aí publicado.


Raúl Brandão
A Pedra ainda Espera Dar Flor - Dispersos
Quetzal

Foi o primeiro livro que vi publicado neste ano. A primeira notícia de novidade e na altura disse logo que estava encontrado um dos livros do ano. Não voltei atrás mas eu sou de desconfiar no que toca ao R. Brandão. Quando não me param eu tenho um tendência para dizer que é provavelmente o maior autor europeu do seu período e provavelmente da literatura mundial.


Anthony Burgess
Laranja Mecânica
Alfaguara

Ainda estava eu na Babel e tentei agarrar por tudo os direitos deste livro para publicar na Ulisseia. A batalha foi feroz mas não consegui agarrá-lo e aqui está ele na Alfaguara. (não me pronuncio sobre a tradução que não li a mesma.)


Charles Bukowski
Histórias da Loucura Normal
Alfaguara

Também na Ulisseia comecei a publicar Bukowski mas infelizmente não houve meios para manter o autor na editora para grande pena minha. (também aqui não li a tradução.)


Leopoldo Brizuela
Numa Mesma Noite
Alfaguara

Grande livro. Li-o quando saiu em edição de língua espanhola.


Marc Chagall
Antigo Testamento
Relógio d'Água

Goste-se ou não de Chagall, o Antigo testamento é um dos livros da minha vida e o casamento resulta.


Alice Munro
Amada Vida
Relógio d'Água

Podia ter sido um qualquer dos livros da Alice Munro mas foi este porque encontrei há uns anos num banco do Aeroporto de Frankfurt a edição inglesa abandonada.


Jean Luc Fromental, Joelle Jolivet  
365 Pinguins
Orfeu Negro

Irresistível!


Alejo Carpentier
Concerto Barroco
Antígona

Outro dos meus fétiches. Tentei apanhá-lo ainda nos tempos da Cavalo de Ferro mas foi publicado numa chancela creio que da Saída de Emergência. Espero que a Antígona continue a publicação de Carpentier.


Jonathan Swift
Singela Proposta e Outros Textos Satíricos
Antígona

Irresistível II.


Andrei Platónov
Djan ou a Alma
Antígona

Um dos grandes nomes esquecidos da literatura mundial.


Sándor márai
A irmã
Dom Quixote

Há algum livro do márai que não seja bom? (também aqui não conheço a tradução, noutra língua)


Gao Xingjian
Uma Cana de Pesca para o Meu Avô
Dom Quixote

Por vezes é essencial percebermos o nosso lugar no mundo relativamente a tudo mas em especial no que toca à nossa mundivisão. Este é um daqueles livros que colocam frente a frente o universal e o particular de forma única.


Edmund Burke
Uma Investigação Filosófica acerca da Origem das Nossas Ideias do Sublime e do Belo
Edições 70

Para a biblioteca dos textos fundamentais. Li-o na faculdade nos tempos em que voguei sobre os radicais portanto não conheço a tradução.


Ana Teresa Pereira
As Longas Tardes de Chuva em Nova Orleães
Relógio d'Água

Cada livro da Ana teresa Pereira é um magnífico deja vu. Haverá alguém na literatura universal capaz de cativar tanto a cada dose do mesmo?


Oliver Sacks
Enxaqueca
Relógio d'Água

Fiquei (e estou que sou preguiçoso e não me informei) na incerteza de saber se esta edição é a primeira ou uma reimpressão. (li em inglês e é outro dos meus fétiches)


Marcel Ruijters
Inferno
Mmmnnnrrrg

Se desta lista eu tivesse de escolher um livro para levar comigo para o além, este seria o escolhido.


ADENDA (só porque o copiar&colar não funcionou)

Alberto Manguel
Dicionário de Lugares Imaginários
Tinta da China

O meu livro de viagens preferido de há muitos anos para cá /juntamente com um outro que não vou referir porque talvez o futuro mo deixe publicar).
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Livros do Ano 2012 (VI)

0 comentários sábado, 29 de dezembro de 2012



1 - A cortina dos dias, de Alfredo Cunha (Porto)

Grande livro de fotografia sobre o princípio deste fim que agora vivemos.

2 - O Luxo Eterno - Da Idade do Sagrado ao Tempo das Marcas, de Gilles Lipovetsky e Elyette Roux (Edições 70)

Difícil, difícil é dizer bem sobre que trata este livro. é uma obra sobre coisas que nos fascinam e prendem, sobre as ideias que vemos nas coisas e nas marcas, sobre a essência. Um livro que fala sobre a satisfação de um desejo de requinte (créditos para a Ferrero).

3 - As elipses na água, de Javier Sotto y Castro (Bruma)

Há livros que estão condenados à obscuridade. Edição com tiragem limitadíssima, autor  sobre o qual não se encontra qualquer informação, editora (devidamente) obscura com um blogue que esteve online penso que nem um mês. Uma pequena obra-prima.

4 - Num lugar solitário, de Ana Teresa Pereira (Relógio d'Água)

Quando se diz que há autores que estão sempre a escrever o mesmo livro, Ana Teresa Pereira é precisamente assim. O resultado é que o livro é sempre bom. 

5 - Lisboa, uma cidade em tempo de guerra, de Margarida de Magalhães Ramalho (IN-CM)

Uma edição importante em que se cruza a história urbana com a história dos refugiados e dos passantes. Um documento impressionante.

5 - Persépolis, de Marjane Satrapi (Contraponto)

Finalmente em língua portuguesa. Continuo na dúvida se gosto mais do filme ou da BD...

6 - Paulo Guilherme, de Silva Designers (IN-CM)

Há uns anos valentes (mais de dez) estive no estúdio do Paulo Guilherme - filho do Olavo de Eça Leal (se não sabem quem foi, investiguem) - porque um editor com quem eu trabalhava queria fazer uma reedição do "Iratan e Iracema" de seu pai (que o Paulo Guilherme realizou em filme no final dos anos 80).
Foi uma das experiências que me marcaram. Este era um artista completo: arquitecto, designer, pintor, realizador, escritor, polemista, ensaísta e provavelmente um dos melhores conversadores com quem alguma vez privei.
Esta homenagem ao homem e ao artista é mais do que devida.

Bónus

1 - Contos escolhidos, de Isaac Babel (Relógio d'Água)

Se não o escrevi ainda, escrevo agora. Esta edição irrita-me imenso. O Isaac Babel é um dos melhores contistas russos mas com produção bastante contida. Publicar-se uma edição de contos escolhidos com quase 300 pp. quando os seus contos completos não ultrapassam em muito as 400 é uma frustração de edição. Ainda assim um grande livro na ausência do todo.

2 - Pessoa existe?, de Jerónimo Pizarro (Ática)

Talvez a provocação intelectual do ano.
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Livros do Ano 2012 (V)

0 comentários quinta-feira, 27 de dezembro de 2012


1 - O ilustre, de Clarice Lispector (Relógio d'Água)

Podia ser qualquer um, podiam ser todos os livros da Clarice... Foi este porque é dos que mais gostei.

2 - Uma Manhã Perdida, de Gabriela Adamasteanu (Dom Quixote)

Uma escritora ainda muito ignorada em Portugal. Este é o seu segundo melhor romance. Publicado no começo dos anos 80. (Não li esta tradução portuguesa)

3 - Mazagran, J. Rentes de Carvalho (Quetzal)

Só muito recentemente vim a descobrir Rentes de Carvalho. É muito bom poder ir descobrindo assim, coisas inesperadas. Mais um grande livro.

4 - A Sorte de Jim, de Kingsley Amis (Quetzal)

A obra-prima de Amis, uma tragicomédia que é em boa parte um retrato muito importante de uma realidade britânica de uma época de mudanças. O título original é "Lucky Jim" - Jim, o sortudo" ou coisa que o valha. Os editores e os tradutores têm medo que palavras dessas soem à província, o resultado é um título que pode transmitir uma carga diferente ao livro até pelas diversas utilizações da palavra "sorte". "Jim com sorte" poderia ter sido uma solução.

5 - Pulp, de Charles Bukowski (Alfaguara)
6 - Hollywood, de Charles Bukowski (Alfaguara)

Bukowski quase todo disponível em língua portuguesa com mais estas duas edições. "Pulp" é um dos grandes da literatura norte-americana e mundial.

7 - O futuro da ficção, de António-Pedro de Vasconcellos (Fundação Francisco Manuel dos Santos)

Estive hesitante em colocar este livro. A paginação é péssima. Encontrá-lo à venda foi um pesadelo. E o texto em si apesar de interessante deixa sempre um pouco uma impressão de incompleto. No entanto, como por vezes acontece, foi um livro que, devido a essa falta de completude, me obrigou a pensar em muitas coisas bastante interessantes. Acresce a isso a possibilidade de espreitarmos o mundo de A-P de Vasconcellos por mera curiosidade.
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Livros do Ano 2012 (IV)

0 comentários sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

1 - Um Império de Papel - Imagens do Colonialismo Português na Imprensa Periódica Ilustrada (1875-1940), de Leonor Pires Martins (Edições 70)

Um álbum interessantíssimo que traça num quase foto-jornalismo uma sociedade em transição. É sem dúvida um documento essencial da nossa história.

2 - Desenhar o vento - A última viagem do Capitão Salgari, de Ernesto Ferrero (Teodolito)

Para quem cresceu com Salgari (eu estive mais próximo do Jules Verne mas ainda assim), um romance biográfico sobre um homem que deu mais mundo aos homens.

3 - Portugueses no holocausto, de Esther Mucznik (Esfera dos Livros)

Outro documento importante cobrindo uma parte da história nossa que desconhecemos.

4 - Dentro do segredo, de José Luís Peixoto (Quetzal)

Magnífico livro de viagens.sobre um mundo que não se dá ao mundo.

5 - Uma Obra Enternecedora de Assombroso Génio, de Dave Eggers (Quetzal) 

Finalista do Pulitzer, o romance de Eggers é um assombroso estudo sobre os lugares e papéis sociais e familiares, sobre quando temos de assumir papéis que nunca imaginámos vir a ter de assumir, sobre o nosso papel na sociedade e na pequena sociedade que é a família. Daí a importância de um livro nos tempos que correm em que a nossa leviandade social é aterradora.

6 - 1089 e Tudo o Resto - Uma Viagem Pela Matemática, de David Acheson (Relógio d'Água)

De vez em quando gosto de me embrulhar num desafio destes, acho que faz muita falta à cabeça das gentes de letras. Obriga-nos a arrumar a casa aqui de cima e nós por natureza gostamos de um caos culto.

7 - A Palavra do Mudo, de Julio Ramon Ribeyro (Ahab)

Já tinha destacado em escolhas de anos anteriores. J. R. R. é um dos melhores contistas de todos os tempos, provavelmente ali no top 10. Grande livro, venha o segundo volume.
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Livros do Ano 2012 (III)

0 comentários quarta-feira, 19 de dezembro de 2012


Continuo a divulgar a minha lista. Valem as notas deixadas nas entradas anteriores.

1 - Contos completos, de Lydia Davis (Relógio d'Água)

Comecei a publicar a Lydia Davis na Ulisseia  com o «Break it down - demolição». Conheci a autora por culpa do José Luís Peixoto que ma tinha recomendado há uns anos valentes. É sem dúvida nenhuma uma das melhores contistas contemporâneas de língua inglesa.

2 - A Mulher Que Tentou Matar o Bebé da Vizinha, de Liudmila Petruchévskaia (Relógio d'Água)  

Um dos melhores livros de contos do ano publicados em Portugal. Antologia de anos de escrita em torno de temas e realidades tabu de uma União Soviética. Forte, muito forte. Muito bom. (engraçado nessa força o paralelo com alguns contos da Lydia Davis)

3 - Arturo, de Davide Cali e Ninamasina (Bruaá)

Que dizer... Olha-se, folheia-se e percebe-se o porquê da escolha, acho eu.

4 - Rómulo de Carvalho/António Gedeão - Príncipe Perfeito, de Cristina Carvalho (Estampa)

A Cristina Carvalho, filha do Rómulo de Carvalho e também ela escritora, dá-nos o retrato muito pessoal de uma das figuras mais marcantes do século XX português.

5 - A forca, de Joe Abercrombie (Asa)

Esta escolha é para os fanáticos da fantasia. Não li a tradução do segundo volume da trilogia do Joe Abercrombie (aliás li-os todos em inglês). Abercrombie é o melhor escritor actual de fantasia - na minha opinião - e os seus livros apresentam um mundo onde se cruzam as principais correntes da fantasia próximas dos estereótipos clássicos. Aliado a tudo isso uma mestria nos diálogos à altura de George R. R. Martin e um sentido de humor britânico e muito muito negro que não deixam o leitor deixar de rir às gargalhadas nos mais terríveis momentos de acção.

6 - A química das lágrimas, de Peter Carey (Gradiva)

Peter Carey é um dos meus autores de eleição e ainda está para vir um livro seu que não me prenda. Mais uma vez aqui, Carey joga com a ficção, a história e a escrita como poucos.

7 - Conde Ferreira & C.ª - Traficantes de escravos, de José Capela (Afrontamento)

Imagino que a origem deste livro tenha sido uma tese mas quer a temática quer o tratamento são extremamente interessantes e servem para deixarmos de lado muito do nosso passado cor-de-rosa pintado por anos de ancient régime.
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Livros do Ano 2012 (II)

0 comentários sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Aqui seguem mais sete dos meus livros do ano. Mais uma vez, sem que a numeração implique qualquer tipo de valoração.

1 - A Polaquinha, de Dalton Trevisan (Relógio d'Água)

Ainda estive para colocar o «Vampiro de Curitiba» mas adoro romances construídos de contos. este é um deles daquele que é provavelmente um dos maiores contistas do século XX em língua portuguesa.

2 - Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada, de Pablo Neruda (Relógio d'Água)

Porque eu nunca consigo evitar Neruda.

3 - Kafkiana, de Agustina Bessa-Luís (Guimarães)

Reconhecendo-lhe o valor, não sou grande fã de Agustina. mas sou-o de Kafka e aqui o casamento é quase perfeito.

4 - Necrópole, de Santiago Gamboa (Eucleia)

Um romance portentoso, ainda o estive para publicar na Ulisseia. A prova de que a literatura sul-americana tem outros espaços que não apenas o do realismo mágico. Este romance alegórico-metafórico é um desafio à compreensão do nosso mundo e da presença constante da morte. (Li no original.)

5 - Domar os Deuses - Religião e Democracia em Três Continentes, de Ian Buruma (Edições 70)

O fenómeno religioso e as suas relações com a política e sociedade. Um livro marcante.

6 - Jesus Cristo Bebia Cerveja, de Afonso Cruz (Alfaguara)

O Afonso Cruz não larga as minhas escolhas do ano há, creio, pelo menos uns 3 ou 4 anos. Deve ser porque tem aquela coisa notável de não parecer um escritor quando escreve.

7 - Fernando Guedes - o decano dos editores portugueses, entrevista de Sara Figueiredo Costa (Booktailors)

Mais do que o livro em si - que vale muito a pena - o conceito e a importância da colecção e do que com ela se pretende. Bravo. Precisamos muito de memória na edição portuguesa. Espero volumes sobre o Luís Oliveira, Luís Amaro, Vítor Silva Tavares e outros.
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Livros do Ano 2012 (I)

1 comentários quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Aqui seguem os primeiros 7 títulos que fazem parte da minha lista de Livros do ano 2012. A ordem e numeração não representam qualquer tipo de gradação (salvo no número 1).


1 - A lebre de olhos de âmbar, de Edmund de Waal (Sextante)

Um livro que eu queria muito publicar. Tinha-o há uns anitos já nas minhas listas. Pessoalmente é o meu livro do ano.
Sendo uma memória pode ler-se igualmente como um romance, uma notável saga familiar, uma história da Europa nos últimos 150 anos, uma história dos gostos, costumes e ideias no mesmo período, um retrato de um mundo perdido.
Um livro inimitável que recebeu o prémio Costa (antigo Whitebread) na categoria de Biografia. Imperdível.


2 - O Colecionador de Mundos, de Ilija Trojanow (Arkheion)

Richard Burton (o explorador, não o actor) é uma das figuras que sempre me fascinaram. Um filho de uma época que tudo fez para nela não se incluir, para fugir aos espartilhos de uma sociedade victoriana que impelia quem não quisesse fazer parte dela a partir mundo fora escondendo-se nos cantos mais exóticos de um império onde o sol não se punha. Este é um retrato possível de Burton, literariamente magnífico, soberbamente investigado e construído.


3 - Sándor Márai, A Ilha (Dom Quixote)

Magnífico como todos os Márais. Um grande romance em mais uma tradução excelente da Piroska Felkai.


4 - Fernando Pessoa, Prosa de Álvaro de Campos (Ática)

Um dos livros do ano a nível mundial numa edição impecável. Parabéns a esta nova Ática e à equipa comandada pelo Jerónimo Pizarro.


5 - George Steiner, A poesia do pensamento (Relógio D'Água)

Mais um Steiner de perder o fôlego. Uma história das ideias e das palavras que lhes dão forma e da forma que essas palavras por vezes assumem.


6 - Jaroslav Hasek, O bom soldado Svejk (Tinta-da-China)

Depois de anos de apenas termos uma versão retalhada a machado, a versão integral de um dos clássicos europeus mais importantes com a vantagem de uma tradução do original feita pelo Lumir Nahodil. Este é um romance incontornável.


7 - António Barahona, Maçãs de Espelho (Língua Morta)

Provavelmente (outra vez) Barahona leva a distinção de livro do ano de poesia.

Mais livros do ano em breve...
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Escolhas do ano 2012

0 comentários segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Este blogue tem andado como o país, parado. Nada tem acontecido que mereça um destaque salvo livros, claro.

Assim e ao longo das próximas semanas, ao ritmo a que me for possível, irei afixar as minhas escolhas do ano. Um ano em que li menos novidades, que o orçamento foi bem mais contido.

São, como de costume, escolhas entre obras que ou li em português ou já tinha lido noutras línguas.

Até breve...
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Livros do Ano 2011

0 comentários quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
O ano viu a crise apertar. A meio dele escrevi um texto em que perguntava se nos aproximavamos do fim da edição tal como a conhecemos. Continuo a achar que sim caso não sejam tomadas medidas sérias pensadas e conhecedoras.

Contudo, a nível editorial propriamente dito, este ano, ainda mais que os dois anos anteriores, viram a qualidade das escolhas a esmerar-se. Infelizmente - e cada vez mais - desacompanhada da qualidade das traduções

Não estive tão atento ao ano editorial devido às flutuações do meu próprio momento profissional portanto as escolhas que faço são feitas com base em notas que fui tomando, certamente incompletas. Mas não são as escolhas anuais de qualquer pessoa, mesmo um crítico, limitadas? - incapaz que é de ler tudo e estar a par de tudo? Pelo meu lado, ainda assim, admito ter estado menos atento que em anos anteriores.

Assim e desde já, sem qualquer ordem de preferência:

1 - Memória do fogo (vol.1), de Eduardo Galleano (Livros de Areia)

2 - Poesia completa, de Manoel de Barros (Caminho)

3 - Ferdydurke, de Witold Gombrowicz (7 nós)

4 - Viver no Fim dos Tempos, de Slavoj Zizek (Relógio d'Água)

5 - Prosas Apátridas, de Julio Ramon Ribeyro (Ahab)

6 - Madrugada na tua alma, de Gabriel Magalhães (Aletheia)

7 - A História Não Acabou, de Cláudio Magris (Quetzal)

8 - Canções Mexicanas, de Gonçalo M. Tavares (Caminho)

9 - Puta Que os Pariu! A Biografia de Luiz Pacheco, de João Pedro George (Tinta da China)

10 - O Mundo de S J Perelman, de S.J. Perelman (Tinta da China)

11 - Caminhar no Gelo, de Werner Herzog (Tinta da China)

12 - Argumentos Para Filmes, de Fernando Pessoa (Ática)

13 - América, América, de Jorge de Sena (Guimarães Editores)

14 - Vieram como andorinhas, de William Maxwell (Sextante)

15 - A verdadeira história do bandido Maximiliano, de Jacinto Rego de Almeida (Sextante)

16 - A Escavação, de Andrei Platónov (Antígona)

17 - A Livraria, de Penelope Fitzgerald (Clube do Autor)

18 - Pornopopeia, de Reinaldo Moraes (Quetzal) 

19 - Purga, de Sofi Oksanen (Alfaguara)

20 - Ondina, de La Motte-Fouqué (Antígona)

21 - Contos Completos (1947-1992), de Gabriel García Márquez (Dom Quixote)

22 - Garman & Worse, de Alexander Kielland (Eucleia)

23 - Os Buddenbrook, de Thomas Mann (Dom Quixote)

24 - O Chalet da Memória, Tony Judt (Edições 70)

25 - O Sentido do Fim, Julian Barnes (Quetzal)

26 - A Viagem de Felícia, William Trevor (Relógio d'Água)

27 - Amor e Verão, de William Trevor (Relógio d'Água)

28 - Lérias, de Miguel Martins (Averno)

29 - A arte de chorar em coro, de Erling Jepsen (Eucleia)

30 - Identidade e conflito, de Fernando Esteves Pinto (Lua de Marfim) - igualmente vencedor da pior capa do ano

31 - A Magia dos Números, de Yoko Ogawa (Quetzal)

32 - Memórias de um morto, Hjalmar Bergman (Eucleia)
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Livros do Ano 2010

6 comentários quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Estava a tentar fazer uma lista contida, juro. Mas este ano teve mesmo coisas muito boas. Foi um grande ano cheio de grandes livros. O mercado está a subir na qualidade global das edições e isso agrada-me. Também me agrada ter alguns livros por mim publicados que, não fosse o mau aspecto, colocaria sem hesitações aqui nesta lista.

E no fim de contas em que resultou esta situação de tentar fazer uma lista contida? Numa listagem enorme de coisas boas que não consegui tirar.da longlist.

Assim - e este ano sem imagens - aqui vão os meus [34] livros do ano de 2010:

Os passos perdidos
Alejo Carpentier
Camões & companhia

Edição & Editores - O mundo do livro em Portugal (1940-1970)
Nuno Medeiros
ICS

Parrot e Olivier na América
Peter Carey
Gradiva

O castelo de Gormenghast
Mervyn Peake
Saída de Emergência

Colum McCann
Deixa o grande mundo girar
Civilização
(li em inglês, não sei o estado da tradução portuguesa)

Bibliotecas cheias de fantasmas
Jacques Bonnet
Quetzal

Klas Östergen
Gangsters
Estampa
(Já li este livro, também parte de uma trilogia nórdica - para mim e de longe melhor que o Stieg Larsson - há uns anos, creio que este livro é de 2010, se não for não faz mal)

Subway Life
António Jorge Gonçalves
Assírio&Alvim

Livro rosé de sua santidade o camarada-presidente Vieira
Assírio&Alvim

A viagem do Beagle
Charles Darwin
Relógio d'Água

Contos
Ambrose Bierce
Saída de Emergência
&
Contos Completos
Ambrose Bierce
Eucleia

Adoecer
Hélia Correia
Relógio d'Água

A Primavera há-de chegar Bandini
John Fante
Ahab

O jogador de râguebi
Óscar Bustamante
Bizâncio

Uma viagem à Índia
Gonçalo M. Tavares
Caminho
(não é para ser do contra, mas gostei mesmo mais...)

Homens, espadas e tomates
Rainer Dernhardt
Zéfiro

De espécie complicada
Abel Barros Baptista
Angelus Novus

Brevíssimo Inventário
Marcello Duarte Mathias
Dom Quixote

Divórcio em Buda
Sandor Marai
Dom Quixote

Nasci para Nascer
Pablo Neruda
Europa-América
(li em castelhano, não sei da qualidade da tradução)

O passado
Alan Pauls
Dom Quixote

O fim do império romano
Adrian Goldsworth
Esfera dos Livros

Escritos pornográficos
Boris Vian
Guerra & Paz

Um mundo deste tamanho
Pedro Cotrim
Centro Atlântico

Os objectos chamam-nos
Juan José Millás
Planeta
(uma das piores capas do ano)

Os livros que devoraram o meu pai
Afonso Cruz
Caminho

Popville
Boisrobert & Rigaud
Bruáa

História política do diabo
Daniel Defoe
Guerra & Paz

A arte de dar peidos
Pierre Thomas-nicolas Hurtaut
Orfeu Negro

Livro
José Luís Peixoto
Quetzal

Quinze dias no deserto americano
Alexis de Tocqueville
Angelus Novus

A assombrosa viagem de Pompónio Flato
Eduardo Mendoza
Sextante

Memórias
Rómulo de Carvalho
Fundação Calouste Gulbenkian

Viva México
Alexandra Lucas Coelho
Tinta da China

Para a melhor capa do ano, embora o livro, sendo bom, não seja dos meus favoritos:

Ágape, agonia
William Gaddis
Ahab
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Vem aí um dos livros do ano

8 comentários domingo, 25 de abril de 2010
Foram rumores internacionais que o anunciaram - espero que se confirmem. Parece que a Saída de Emergência, depois de recentemente ter lançado o divertidíssimo Flashman de George MacDonald Fraser, volta a surpreender com um daqueles livros que é uma obra incontornável da literatura universal e, infelizmente, totalmente ignorado neste canteiro beira-mar plantado.
Falo-vos do primeiro volume da trilogia Gormenghast de Mervyn Peake. Para quem não sabe, Peake foi um dos grandes ilustradores da primeira metade do século XX. Criou, por exemplo, um dos mais fantásticos Long John Silver's para o clássico imortal de Stevenson.
[Afinal, corrige-me e bem a Safaa Dib, o primeiro volume saiu para um vazio de crítica em 2007 e o livro do ano que aí vem será pois o segundo da trilogia]
Enquanto escritor, Peake publicou os três primeiros volumes desta saga e uma pequena novela antes de ficar diminuído a tal ponto pela doença de Parkinson que não a pôde continuar. Ainda assim, e para quem conhece, esta é uma das obras literárias, erradamente classificada como fantasia, com maior força do século XX.
Deixo-vos apenas a indicação de que o personagem principal destes três livros é o castelo onde a história decorre. Não percam esta obra-prima e - recomendação aos editores - cuidado com a tradução que, mal feita, pode matar o livro. Esta é uma obra literária de explendor linguístico quase inigalável na literatura britânica e, portanto, de difícil tradução.
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Os livros que eu gostaria de ter publicado em 2009 mas foram publicados por outros - (9)

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Os espiões - Luís Fernando Veríssimo - Dom Quixote

Chegou tarde este ano mas chegou.Uma brincadeira mitológica - nem sei como não saiu na famosa série dos mitos reescritos publicada pela Canongate - , um pouco à imagem do livro de Patrícia Melo já incluído nestes livros do ano. Claro que este muito mais ao modo de Veríssimo, mais brincalhão, mas piscadela de olho, escrito com aquela facilidade de linguagem que falta em Portugal.

É certamente uma das prendas de Natal de eleição.


As Sete Maravilhas do Mundo Antigo, Fontes, Fantasias e Reconstituições - Organização: José Ribeiro Ferreira e Luísa de Nazaré Ferreira - Edições 70

Neste ano de muitas maravilhas, verificou-se a inclutura generalizada em relação às antigas. Este livro preenche esse espaço de forma rigorosa e informativa (por vezes um pouco precisa de mais para um livro de divulgação). Ainda assim notável e completíssimo na análise dos textos base de autores clássicos com referências aos monumentos, ensaios de qualidade sobre as voltas que os mesmos deram na imaginação de gente de tempos posteriores e sobre quando essa imaginação levou a tentativas de reconstituição.


Macau, Uma História Cultural - António Aresta e Celina Veiga de Oliveira - Inquérito / Fundação Jorge Álvares

Sempre me intrigou a forma possível de relação entre culturas tão fundamentalmente diversas como as ocidentais e as orientais. Aqui também, como no livro de Peter Carey, anteriormente recomendado (embora o Japão tenha assimilado muito de ocidental nos últimos anos), é feita uma análise da forma como coabitaram as culturas nativas e colonizadoras (ou ocupantes). este livro é de extrema importância para se perceber não apenas o que passou mas os caminhos de cooperação ocidente-oriente para um futuro onde a proximidade provocada pelas novas tecnologias vai trazer uma globalização plena de conflitos e choques culturais.

E, sim, um dia também gostava de ir a Macau.
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Os livros que eu gostaria de ter publicado em 2009 mas foram publicados por outros - (8)

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O Japão é um lugar estranho - Peter Carey - Tinta da China

Desde «Oscar e Lucinda» que sou um leitor habitual de Carey. e neste livro apesar de um registo algo diferente não abala o meu gosto pela sua escrita. Acresce a isto que sou um fã de manga e anime - da boa, claro está. E tenho um fraquinho pelo Japão - um daqueles sítios que sempre sonhei visitar. Assim era impossível dizer que não quereria publicar este livro.

Não deixa de ser interessante ver Carey a ter de lidar com uma sociedade muito moderna (a minha namorada diz que eu uso pós-modernidade vezes demais), ele que vive num mundo Maughamiano em termos temporais e temáticos.


Os diários perdidos de Adrian Mole - Sue Townsend - Difel

Porque sempre quis saber como acabaria Adrian Mole. Porque Sue Townsend nunca cedeu ao facilitismo de "acabar bem" e criou o personagem que significa uma geração perdida. Cheia de potencial mas que não se realiza (pelo menos não como quereria). Continua a ser um dos mais brilhantes relatos da realidade britânica apesar de ser normalmente empurrado para as secções de humor ou literatura juvenil


História literária do Porto, através das suas publicações periódicas - Alfredo Ribeiro dos Santos - Afrontamento

Até há pouco tempo nós portugueses éramos muito cheios de nós mesmos, muito auto-importantes mas nesta era da suspeita (cf. livro homónimo de Natalie Sarraute, Guimarães editores), olhamos para o discurso do autoelogio ou do elogio mútuo com uma inveja terrível. No entanto, vasculhar a tremenda biografia da vida portuguesa através da sua imprensa periódica é uma fonte de curiosidades, histórias e, como seria de esperar, lições tremendas para o futuro.

Este livro delicioso é uma história das casas dos livros, dos eventos culturais, das vidas dos escritores (sempre gostei dos livros memorialistas de Júlio Brandão), mas é sobretudo mais um exemplo de um estudo de uma comunidade de leitores e literatos através dos tempos - isto depois de hoje ter escrito sobre o livro «Comunidades de leitura».
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Os livros que eu gostaria de ter publicado em 2009 mas foram publicados por outros - (7)

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Poe, uma vida abreviada - Peter Ackroyd - Camões e Companhia

Neste ano Poe o mercado português vê surgir uma das melhores biografias do grande génio das letras americanas. E também o menos americano. Poe com a sua preocupação com o passado e as suas consequências no presente e futuro ergue-se como um gigante contra o sonho americano da nova oportunidade. Uma perspectiva sem passado.

A tradução perde um pouco da própria grandeza de Ackroyd que é, para além de um grande biógrafo, um grande escritor, mas acaba por ser uma questão de pormenor numa edição de qualidade.


Obra poética completa - Edgar Allan Poe - Tinta da China

Continuando ainda no ano Poe, é de assinalar esta grande edição, em tamanho e qualidade. Margarida Vale de Gato que, depois do seu tremendo output de traduções na Relógio d'Água, tem vindo a melhorar um nível já de si muito interessante, dando mais tempo às traduções para amadurecerem, ensaia aqui provavelmente a tradução mais difícil da sua carreira e sai-se bastante bem.

Escusado será falar da qualidade da poesia de Poe e da sua tremenda influência a nível internacional (Baudelaire e Pessoa, são apenas dois exemplos). Uma obra imprescindível.


Poemas - Alfred Tennyson - Saída de emergência

E já que estamos em maré de poesia, eis-nos perante um objecto estranho no programa editorial da Saída de Emergência. Ainda assim uma obra a destacar. A poesia romântica inglesa tem sido sempre muito mal-tratada pela edição portuguesa com algumas e boas excepções. Aqui publica-se uma boa selecção dos seus poemas que marcaram uma época e a história da poesia de língua inglesa.

Alfred, lord Tennyson, de quem se celebra em 2009 o 200.º aniversário do nascimento e também o 150.º aniversário da sua visita a Portugal na peugada das viagens de William Beckford, é o mais "mítico" dos poetas românticos na sua temática. As lendas medievais com referência ao território britânico serviram de inspiração a muitos dos seus poemas, acabando por se tornar numa figura de referência para os autores de literatura de fantasia da actualidade.
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Os livros que eu gostaria de ter publicado em 2009 mas foram publicados por outros - (6)

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Animalário universal do Professor Revillod - Miguel Murugarren & Javier Saéz Castán - Orfeu Negro

Quando eu era muito mais novo, na minha ânsia da descoberta de curiosidades, encontrei um dia na montra de uma livraria um livrinho da Thames & Hudson sobre a obra de Athanasius Kircher. Não descansei enquanto não juntei dinheiro para comprar o dito livro. Se já antes tinha uma tremenda fixação pelas gravuras de Roux gravadas por Hildebrand para as edições Hetzel de Jules Verne que o meu avô tinha reproduzidas nos livros da edição de luxo portuguesa publicada pela David Corazzi (sabiam que a única deslocação de Verne a Portugal foi precisamente para assinar contratos com Corazzi que montou em seu torno uma tremenda campanha de marketing - algo que ainda nem existia na altura?). A partir daí desenvolvi outra paixão para alémn da dos livros, a das gravuras de livros.

Este livro é uma delícia Kircheriana, oferecendo-nos a possibilidade de criar animais fantásticos. Não creio que seja um livro para crianças. Os seus bonecos evocam os manuscritos alquímicos, os tratados sobre a natureza do começo do renascimento. E despertaram-me vontade de voltar ao Kircher que estava esquecido na prateleira perto do Dürer e companhia.


Deixem passar o homem invisível - Rui Cardoso Martins - Dom Quixote

Uma das grandes experiências que tive foi uma visita programada que fiz há muitos anos com os meus pais, essa visita partia de Mafra e seguia, na maior parte do tempo, sob a terra, o percurso do aqueduto das Águas Livres desde o seu início até à Mãe D'Água. Sempre pensei que se alguma vez aprendesse a escrever em condições, escreveria um romance sobre esse percurso.

Este romance não tem propriamente nada de relacionado com essa velha linha de abastecimento de água à capital mas houve qualquer coisa desse mundo subterrâneo que senti muito próxima nesta leitura. Certamente o peso de uma cidade cheia de história que escorre por cima do leitor embrenhado com os protagonistas nos esgotos de Lisboa.

A história principal envolve um advogado cego desde os 8 anos e um rapazito que são arrastados, durante uma enxurrada para uma sarjeta na zona de São Sebastião da Pedreira. A partir desse ponto estamos no reino do fantástico ou pelo menos no reino do sub-real (será também surreal?). As conversas entre os dois personagens e as histórias que se cruzam fazem o retrato de um submundo lisboeta estranho e familiar ao mesmo tempo.


Enciclopédia da estória universal - Afonso Cruz - Quetzal

Há muitos anos, um amigo meu agora escritor de alguma nomeada, amigo esse que tinha dupla nacionalidade (portuguesa por um lado e uma nacionalidade pouco vulgar por estes lados), foi concluir um mestrado em Ciências da Educação no tal outro país. Lembro-me de ele me contar divertido que toda a bibliografia da sua tese era, obviamente, portuguesa e totalmente falseada. A tese que apresentou teve bastante aceitação e chegou mesmo a discussão nos média.

Também esta enciclopédia parte de um arranjo ficcional da realidade, uma burla ao leitor que é, ao mesmo tempo, um arrastar para um mundo mágico quase tão subterrâneo oupelo menos quase tão paralelo como o do livro acima.Uma brincadeira deliciosa. Seria um livro quase perfeito se não tivesse optado por colocar estória no título. Essa palavra irrita-me imenso. Assim é um livro quase-quase-perfeito. A ler.
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Os livros que eu gostaria de ter publicado em 2009 mas foram publicados por outros - (5)

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Hitler - Ian Kershaw - Dom Quixote

Em meados deste ano tinha recomendado à minha namorada, que gosta de boas biografias, a edição inglesa que encontrei no meio dos saldos da FNAC, era um calhamaço de mais de 2000 pp. sobre o qual já tinha lido muito. Confesso que nunca pensei ver este livro editado por estas bandas.

Agora percebi que a edição portuguesa tem por base uma edição "reduzida" - o que até compreendo e aceito já que a mesma foi preparada pelo próprio autor.

Para além de ser uma grande biografia em todos os sentidos, falamos do homem que realmente mudou mais radicalmente a face do nosso mundo europeu. Além disso é o símbolo perfeito de como a ignorância e a falta de orientação podem alimentar monstros, monstros que existem porque precisamos deles naquele momento.



O poema, a viagem, o sonho - Arménio Vieira - Caminho

Confesso-me mau conhecedor de literatura africana. Contudo, aqui há uns anos, li o grande livro que é "O eleito do Sol", uma obra que continua a fazer parte dos meus favoritos.

Neste volume Arménio Vieira resume de forma brilhante a esência das temáticas poeéticas da humanidade. Aproxima-se em momentos de Manoel de Barros nas suas "Memórias de Infância", na forma, na construção e na mensagem embora a "narrativa" do poema nada tenha de comum.


Utopias Piratas - Peter Lamborn Wilson - Deriva

Os piratas enquanto anarquistas libertários, a pirataria enquanto forma de escapar aos dogmas sociais e religiosos. Um ensaio histórico de grande qualidade que aborda as relações polifacetadas entre a ideia de pirata enquanto escumalha e a realidade da multitude de aspectos que levaram as mais estranhas personagens a aderir a essa prática que se desenrolava à margem da civilidade convencional.
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Os livros que eu gostaria de ter publicado em 2009 mas foram publicados por outros - (4)

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O Terror - Arthur Machen - Saída de Emergência

Há uns anos em conversa com o José Manuel Lopes apresentei-lhe o Arthur Machen, era um projecto meu para o futuro poder vir a publicar em Portugal alguns dos contos deste mestre do fantástico (no dizer de Borges). Continuando pois no seu trabalho de tradução de alguns dos nomes maiores da literatura fantástica José Manuel Lopes, aqui aliado a outra tradutora, traduz um texto incontornável de um género literário só muito recentemente redescoberto pelos portugueses.

Machen é um mestre da prosa de sugestão, raramente há uma descrição directa dos terrores que povoam a sua ficção. Mestre na criação de atmosfera, o escritor baseia o seu imaginário nas tradições gaélicas e constrói um universo ímpar na ficção fantástica de língua inglesa.


Jonas, o copromanta - Patrícia Melo - Campo das Letras

Uma subversão do história bíblica, um Jonas compaixão pelas fezes da alma. As semelhanças com aquele que, para mim, é o melhor Saramago, o do "Todos os Nomes", são patentes num romance curto de um dos vultos mais originais da contemporânea escrita brasileira.

Um pequenino livro que desafia o leitor para fazer uma purga cerebral. Nesse sentido será provavelmente o melhor romance brasileiro depois do grande "Zero" de Ignácio de Loyola Brandão.


O monte dos vendavais - Emily Brontë - Presença

Não é, ao contrário do que diz a capa. uma obra-prima da literatura inglesa, mas da literatura universal. É a história de amor/ódio mais forte e provocante que conheço. Um clássico portentoso de uma escritora brilhante que infelizmente não deixou muitas mais obras de valia semelhante.

A luta de paixões entre dois seres humanos inflexíveis nas suas posições e caractéres, num ambiente quase gótico que transforma e amplifica as vibrações de uma paixão destruidora.

Se há livros que realmente enchem a medida e nos marcam, este é um deles. Ainda não conheci quem tenha lido e não tenha ficado impressionado.
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Os livros que eu gostaria de ter publicado em 2009 mas foram publicados por outros - (3)

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Luiz Pacheco - Luiz Pacheco - Dom Quixote

Ainda não pus os olhos em cima desta volume mas sendo o catálogo onde se anuncia reunir tudo o que Luiz Pacheco deu à estampa promete. Espero apenas que a edição não padeça da doença patente no textod e apresentação do livro no sítio da editora.

Luiz Pacheco é, para mim, dos homens mais lúcidos deste século que passou no nosso país de gente cada vez menos iluminada. Era também um dos poucos intelectuais lusos com sentido de humor. A importância da sua obraé incontornável e em muito menos páginas consegue colocar a um canto os seus colegas de movimento e época da mesma maneira como faz o retrato perfeito do país e da sua evolução para o bem e para o mal.

Memórias fotobiográficas de Camilo Castelo Branco - José Viale Moutinho - Caminho

Um volume essencial para os estudos camilianos e para o retrato concreto do maior escritor português do século XIX. Este livro tê-lo-ia publicado por capricho.


Cidade de ladrões - David Nenioff - Dom Quixote

Esteve nas minhas mãos ainda na edição inglesa em finais de 2008. Teria sido e era uma das minhas apostas na Cavalo de Ferro e depois na Fundação Agostinho Fernandes e fez ainda parte dos meus planos para outras editoras.

Apesarde integrado na colecção Ficções Universais da Dom Quixote, trata-se de um livro eminentemente biográfico em torno da história de vida do avô do escritor. É uma história simples, mais uma, sobre a irracionalidade da guerra. Durante o cerco a Leningrado o avô do narrador, então um jovem rapaz, é preso pelas forças militares por engano. Depois de uma noite na prisão com outro jovem, um soldado desertor, uma noite onde esperam pela manhã que trará a execussão sumária que era a única forma de um exército reduzido garantir a segurança da cidade, são levados ao comandante das forças militares que lhes faz uma proposta: as suas vidas em troca de ovos frescos para o bolo de casamento da sua filha.

E assim começa uma odisseia louca através de uma cidade gelada onde não há comida (quanto mais ovos frescos) e é o começo de uma história que uniria os dois protanonistas ao longo da vida.

É uma história simples e bem escrita, a sua qualidade maior reside no valor da história e no exemplo daquilo que de pior e melhor o ser humano é capaz. É também uma história que revela o quão surreal a realidade consegue ser.

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Os livros que eu gostaria de ter publicado em 2009 mas foram publicados por outros - (2)

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Presa branca - Jack London - Relógio d'Água

Não vou entrar na discussão sobre o título dever ser traduzido como "presas brancas" porque a questão do plural é demasiado óbvia no original de London. E não entro em questões de título porque a última edição deste livro no nosso país, data dos anos 40, publicado pela Gleba com o magnífico "O lobo e os deuses" como título.

Ainda assim não escondo que é uma das obras que eu queria há muito traduzir. Irmã gémea daquele "apelo da selva" onde a redenção não é possível, esta obra apresenta a outra face, o verso da medalha e a salvação possível bem como a esperança para o futuro. É uma grande narrativa para todas as idades.


As obras-primas de T. S. Spivet- Reif Larsen - Presença

Peguei pela primeira vez na edição de língua inglesa deste livro no começo do ano numa FNAC, tinha alguma curiosidade por se tratar de um autor escandinavo. Só mais tarde percebi que o autor era americaníssimo.

Ainda assim (entenda-se aqui a minha relação com a literatura americana contemporânea) este "buildung roman" não pode deixar ninguém indiferente, quanto mais não seja pelo aspecto gráfico das suas páginas, cheias de mapas e anotações. A história revolve em torno de um géniozinho de 12 anos cujo trabalho é reconhecido pela secção de mapas e cartografia do Smithsonian - ainda que não saibam a sua idade. Convidado a deslocar-se ao Museu para receber um prémio de mérito, T. S. Spivet dá início a uma viagem clandestina pelos EUA. Uma viagem que trará ao seu mundo organizado e mapeado uma nova ordem e sentido e um novo entendimento do seu lugar no mundo e junto da sua família.

Pouco importa que o escritor tenha falhado ao apresentar um génio de 12 anos capaz de raciocícios demasiado complexos (e não falo dos mapas e esquemas) para a idade, ainda assim estamos perante um personagem captivante que faz esquecer as falhas do seu criador.


A origem das espécies - Charles Darwin - Guimarães

 Outra daquelas grandes falhas no nosso mercado editorial. Um livro essencial que finalmente se publica e mais um que eu tinha ideia de publicar há muito tempo. A edição é cuidada e só creio que faltam algumas notas contextualizantes e um pouco de apoio científico (a linguagem é fácil e incrivelmente perceptível apesar da época em que o livro foi escrito pelo que não são muitos os pontos onde se nota esta falha).

Se há livro do qual se pode dizer que mudou o nosso mundo este é um dos mais notáveis exemplos, e pensar que não existia uma edição portuguesa... Parabéns ao Jorge Reis-Sá pela ideia.
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