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As traduções do japonês
2 comentários quarta-feira, 9 de dezembro de 2009Numa crítica recente à malograda tradução de "Mil Grous" de Kawabata, Francisco Luís Parreira condenava o facilitismo da tradução ser feita a partir da tradução americana e a perda considerável que essa tradução originou.
Curiosamente posso falar com alguma propriedade das traduções de Kawabata e do japonês. Em primeiro lugar porque, saído da faculdade trabalhei na Vega que tinha publicado dois livros geniais do autor. A tradução tinha sido feita pelo Professor Pedro Alvim pouco antes do seu falecimento. Lembro-me que no prefácio de um dos livros o Professor explicava porque tinha sentido necessidade de recorrer ao apoio de alguém (não tenho presenteo nome) relacionado com a Embaixada do Japão e muitos desses motivos eram cioncidentes com as críticas feitas agora.
Diz Luís Dias Parreira: "Não sei, portanto, se faz sentido assinalar que algumas universidades portugueses dispõem de departamentos de cultura oriental e que não teria sido impossível encomendar-lhes uma tradução credível." ao que eu acrescento que ainda por cima Portugal teve uma relação de quase 500 anos com o Japão de grande importância histórica e diplomática. Ainda assim tenho de responder negativamente à questão do crítico do Ipsilon. Quando estive na Cavalo de Ferro e quando decidimos publicar Banana Yoshimoto, contactei embaixadas, Universidades, leitorados e tudo o mais de que me lembrei até que finalmente tive acesso ao único tradutor português de Japonês disponível para fazer tradução literária. Mais ninguém aceitou este desafio. E acreditem que contactei mesmo muita gente. O Professor António Barrento continua a ser, ao que sei, o único tradutor disponível para tradução literária do japonês para a língua de camões e, como também é professor e tem outras tarefas é um traduror lento (o que nem é mau quando toca a textos de complexidade) mas não permite um output regular de traduções.
Para além deste problema há ainda outro: a tradução do japonês não se paga da mesma forma que a tradução do inglês(por exemplo) é uma tradução bem cara. E os direitos de Kawabata são administrados pela Wyley Agency que é famosa por não aceitar avanços de menos de 2000 € (e no caso de um prémio Nobel nem sei se não exigirão mais). Ora esta questão leva o editor a fazer as suas opções. No caso da Cavalo de Ferro preferimos não traduzir Kawabata, a Dom Quixote avançou com uma tradução do inglês como a Presença já tinha feito. É que colocar no mercado um livro do qual já se espera que não seja um best-seller mas que ainda por cima vem de base com uma dívida de pelo menos 4000 € só em tradução e direitos é uma impossibilidade para qualquer negócio e a edição tem de ser um negócio.
Isto lembra-me também que, quando na Cavalo de Ferro editámos a Banana Yoshimoto traduzida do original, tentei explicar precisamente isto à então adida cultural da Embaixada do Japão que não me entendeu. Para ela o apoio de edição conferido pela Japan Foundation destina-se a obras sem grandes possibilidades de sucesso comercial e a Banana Yoshimotoque vendia milhões em todo o mundo não entrava nessa categoria. Por mais que eu lhe explicasse que uma edição portuguesa nunca seria uma edição comercial e que a banan era um teste para entrarmos em traduções de grandes autores japoneses, a senhora achava que nem Kawabata, nem Mishima, nem Banana deixavam de ser autores comerciais pelo facto de venderem muito em todo o mundo. Nesta conversa faltaram as bases e referentes de um negócio eternamente em crise para que a tradução das minhas ideias chegasse à adida. Ainda assim e como os direitos da Banana eram consideravelmente mais baixos que os de Kawabata, avançamos com este teste que acabou por constituir a primeira tradução literária directa do japonês para o português.
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Curiosamente posso falar com alguma propriedade das traduções de Kawabata e do japonês. Em primeiro lugar porque, saído da faculdade trabalhei na Vega que tinha publicado dois livros geniais do autor. A tradução tinha sido feita pelo Professor Pedro Alvim pouco antes do seu falecimento. Lembro-me que no prefácio de um dos livros o Professor explicava porque tinha sentido necessidade de recorrer ao apoio de alguém (não tenho presenteo nome) relacionado com a Embaixada do Japão e muitos desses motivos eram cioncidentes com as críticas feitas agora.
Diz Luís Dias Parreira: "Não sei, portanto, se faz sentido assinalar que algumas universidades portugueses dispõem de departamentos de cultura oriental e que não teria sido impossível encomendar-lhes uma tradução credível." ao que eu acrescento que ainda por cima Portugal teve uma relação de quase 500 anos com o Japão de grande importância histórica e diplomática. Ainda assim tenho de responder negativamente à questão do crítico do Ipsilon. Quando estive na Cavalo de Ferro e quando decidimos publicar Banana Yoshimoto, contactei embaixadas, Universidades, leitorados e tudo o mais de que me lembrei até que finalmente tive acesso ao único tradutor português de Japonês disponível para fazer tradução literária. Mais ninguém aceitou este desafio. E acreditem que contactei mesmo muita gente. O Professor António Barrento continua a ser, ao que sei, o único tradutor disponível para tradução literária do japonês para a língua de camões e, como também é professor e tem outras tarefas é um traduror lento (o que nem é mau quando toca a textos de complexidade) mas não permite um output regular de traduções.
Para além deste problema há ainda outro: a tradução do japonês não se paga da mesma forma que a tradução do inglês(por exemplo) é uma tradução bem cara. E os direitos de Kawabata são administrados pela Wyley Agency que é famosa por não aceitar avanços de menos de 2000 € (e no caso de um prémio Nobel nem sei se não exigirão mais). Ora esta questão leva o editor a fazer as suas opções. No caso da Cavalo de Ferro preferimos não traduzir Kawabata, a Dom Quixote avançou com uma tradução do inglês como a Presença já tinha feito. É que colocar no mercado um livro do qual já se espera que não seja um best-seller mas que ainda por cima vem de base com uma dívida de pelo menos 4000 € só em tradução e direitos é uma impossibilidade para qualquer negócio e a edição tem de ser um negócio.
Isto lembra-me também que, quando na Cavalo de Ferro editámos a Banana Yoshimoto traduzida do original, tentei explicar precisamente isto à então adida cultural da Embaixada do Japão que não me entendeu. Para ela o apoio de edição conferido pela Japan Foundation destina-se a obras sem grandes possibilidades de sucesso comercial e a Banana Yoshimotoque vendia milhões em todo o mundo não entrava nessa categoria. Por mais que eu lhe explicasse que uma edição portuguesa nunca seria uma edição comercial e que a banan era um teste para entrarmos em traduções de grandes autores japoneses, a senhora achava que nem Kawabata, nem Mishima, nem Banana deixavam de ser autores comerciais pelo facto de venderem muito em todo o mundo. Nesta conversa faltaram as bases e referentes de um negócio eternamente em crise para que a tradução das minhas ideias chegasse à adida. Ainda assim e como os direitos da Banana eram consideravelmente mais baixos que os de Kawabata, avançamos com este teste que acabou por constituir a primeira tradução literária directa do japonês para o português.
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