O gato que queimou o Hot Club

Telefonaram-me a perguntar se conhecia alguém que quisesse um gato que tinha sido encontrado numa árvore muito alta no jardim de Campo de Ourique. Que quem o tinha encontrado já o tinha levado ao veterinário, que tinha feito análises, que tinha sido castrado e vacinado. Que era muito simpático, corajoso, explorador e habituado a fazer companhia. Que tinha no máximo uns 8 mesitos. Que estava magrinho.

Que quem o encontrou, telefonou para os bombeiros para que viessem salvar o gato preso na árvore, a mais de 3 metros do chão. Que os bombeiros estavam, nessa noite muito ocupados com um grande incêncio. Que a pessoa insistiu e voltou a insistir, amante de gatos que é, não dando paz aos telefonistas que, mediante a pressão, cederam e lá mandaram um piquete.

Nessa noite ardeu o Hot Club (não que o nome não indicasse de há muito esse provavel destino). Mas salvou-se o gato. E eu dei novo passo no meu regresso ao mundo editorial. Afinal o que é um editor sem um gato?


À chegada no esconderijo debaixo da mesa.

A soneca ao colo e a primeira perseguição à bola de pingue-pongue.

A captura do atacador de sapato branco.

Ainda o atacador.

A descoberta da máquina fotográfica e a incerteza do piso-cama e, claro, o olho azul.

***

Há sempre qualquer coisa entre gatos e livros. Lembro-me que, no começo da Cavalo de Ferro, ainda a funcionar na casa de um amigo, quando tínhamos de escolher entre 1 de 2 títulos, punhamos os livros no sofá e chamávamos o gato da casa, um persa amarelo e pachorrento, que se sentava no sofá mais perto de um que de outro livro.

1 comentários:

Hugo Xavier disse...

Um amigo meu telefonou-me a dar os parabéns pelas novidades na área editorial. Tive de lhe explicar que só tinha mesmo arranjado um gato. Em termos de emprego continuo a zero e com cada vez menos esperanças.

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