A fracção do todo

Foi um dos maiores sucessos editoriais de 2008. Tinha perto de 700 páginas e era uma obra de estreia de um autor australiano obviamente desconhecido. Tinha tudo para não ser um sucesso. «Uma parte do todo» de Steve Toltz, foi publicado em cinco continentes com um reconhecimento universal da crítica. Foi finalista do Booker (de que consta ser a primeira obra de estreia de um autor não-britânico a alcançar tal posição) e do Guardian Firrst Fiction Award. Traduziu-se e traduz-se ainda em mais de 40 países apesar da dificuldade orçamental de lidar com uma tradução caríssima e o risco de se apostar numa obra de estreia cujo autor não garantiu ainda sequência. Ainda assim a aposta foi unânime por parte dos melhores editores estrangeiros. O que leverá a que isto assim seja, perguntam-me. A qualidade transversal da obra: um calhamaço que nunca se repete, nunca abranda o ritmo e tem personagens únicas em situações extravagantes do princípio ao final do livro. A história de uma família de anti-heróis apostados declaradamente em defender a honra da herança australiana enquanto colónia para ladrões, assassinos, malfeitores, prostitutas e o que mais viesse. As sucessivas gerações desta família, cujas histórias e os tempos se cruzam, estão apostadas em ser as piores dos piores. Assim, o livro brinca com conceitos como 'justiça', ou 'verdade', ou 'honestidade' e, claro, 'ficção' como poucos podem fazer; e fá-lo ao mesmo tempo que conta uma grande história, faz com que o leitor identifique o lado mais perverso da sua alma com a daqueles bons-maus ou maus-bons, e fá-los rir sem parar. Talvez seja também um dos poucos triunfos modernos da aventura pincaresca mas é, acima de qualquer outra coisa, um livro que ninguém esquecerá. Uma história que atravessa veloz 700 páginas para, no final, deixar vontade de muito mais.
Em Outubro nas melhores livrarias.

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