Literatura de língua portuguesa na Ulisseia, um (ou 4) desafios
6 comentários quarta-feira, 29 de junho de 2011Já vos falei um pouco do que andava a fazer na Ulisseia mas este ano posso concretizar com mais propriedade ainda aquilo que pretendo fazer em termos da edição de obras de autores de língua portuguesa. Também nessa área, como nas restantes, o desafio que me foi feito é a edição de ficção de referência: publicar não apenas autores consagrados como novos autores que prometam vir a fazer parte de cânones futuros.
Claro que essa é uma escolha do editor e portanto gostaria mesmo de saber a vossa opinião - depois de lidos os livros - opiniões pelas contracapas são, no mínimo discutíveis.
Por outro lado um nome consagrado mas esquecido: a grande Maria Judite de Carvalho. Este será o seu único (e formalmente verdadeiro) romance (curto ou novela longa). Narradora maior da situação da mulher numa sociedade cada vez mais desumanizada.
MJC fala da solidão como poucos escritores em todo o mundo conseguiram: com uma verdade incómoda e impossível de contornar. Uma incomodidade que se torna física e asfixiante. De repente temos de pousar o livro e olhar em roda. Como dizia o Eduardo Pitta, provavelmente não com estas palavras que seguem por fraca memória, a escrita de MJC vale por todo um seminário de escrita criativa.
Curiosamente próximo do livro do Fernando Esteves Pinto está este também violento romance-choque do Paulo José Miranda (primeiro prémio Saramago) a quem desafiei para regressar à edição deste lado do canal - ele vive agora do outro lado do Atlântico.
Uma obra que põe a nu o vazio das relações modernas e a necessidade de uma violência física e psicológica para comunicar os sentimentos que não conseguimos sequer entender por nós próprios. Crítica do nosso mundo da comunicação em que comunicamos levianamente tudo o que temos de superficial para comunicar mas nunca nos abrimos. E quando o queremos fazer não há como.
Alguém há-de lembrar-se de um livro publicado pela Bertrand em Portugal, corria o ano de 1976. Uma obra proibida no Brasil aquando da sua publicação poucos anos antes e só "liberado" 9 anos depois. Cá também esteve fora de circulação até 1976. Chamava-se «Zero» e durante a Expo 98 foi considerada uma das 100 obras de língua portuguesa do século XX.
«Zero», que vamos publicar em Outubro comemorando, cá como no Brasil, o aniversário da sua polémica publicação, será provavelmente o único romance verdadeiramente inovador do século XX depois das experiências modernistas joycianas (ok, a heresia é minha). Este outro, livro com que começamos a publicação das obras de Loyola Brandão por cá, é algo totalmente diferente mas que, também ele, foi inovador na forma como abordou questões ambientais naquilo que poderia chamar-se um pan-romance, sobretudo pela pluralidade de leituras que permite e pela pluralidade de leitores a quem abre a porta.
Diz-se muitas vezes que os autores brasileiros não vendem em Portugal e até é verdade. À excepção daqueles grandes nomes incontornáveis, qualquer nome que se apresente não merece sequer uma palavra da crítica, quanto mais a atenção dos leitores. Daí também o meu desafio: se é um leitor que gosta de qualquer uma seguintes coisas (independentemente se gosta das outras), se gosta de uma grande história seja ela de amor, policial/thriller, ficção científica, ambientalista ou poética; se gosta de obras escritas numa linguagem aparentemente simples mas onde cada palavra para além de se poder ler à superfície encerra em si outros significados e uma poesia tremenda; se gosta de grandes romances metafóricos comparáveis, por exemplo, a «Ensaio sobre a cegueira», mas que vão muito para lá desse livro em qualidade literária propriamente dita e "inventividade", experimente umas páginas deste mundo onde o desaparecimento da camada de ozono obriga o ser humano a viver de noite e debaixo da terra, a comprar frascos com cheiro de flores ou terra molhada e onde, ainda assim, é tão difícil aceitar a nossa culpa em tudo isso como quebrar as regras de um amor.
É isto. Ficam os desafios e esperam-se as opiniões.
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Claro que essa é uma escolha do editor e portanto gostaria mesmo de saber a vossa opinião - depois de lidos os livros - opiniões pelas contracapas são, no mínimo discutíveis.
Assim este ano o romance-choque de Fernando Esteves Pinto, «Brutal». Uma obra para quem gosta da literatura que dá socos, bem aveludados, no estômago do leitor (daqueles socos no estômago que sobem à cabeça porque obrigam a pensar). O Miguel Real disse já por várias vezes que o Fernando é dos poucos escritores portugueses a saber escrever - e como! - sobre sexo mas eu creio que vai muito para lá disso. Há algo de existencialista na sua escrita que o aproxima da força de um «Húmus», esse objecto estranho da nossa literatura, e de «A morte do palhaço», outro ainda mais estranho produto de Raul Brandão.
O livro segue duas idades de um mesmo personagem, fascinado por teatro, que narra trazendo em encenações palpitantes à boca da cena os traumas de infância que enformam a sua difícil relação com a sua companheira. Olhar e diálogo entre os diversos tempos sobre si mesmos e sobre os outros (tempos entenda-se) é um encadear de momentos vívidos escritos de forma inesquecível. Agora não o escondo: é um livro difícil. A Maria do Rosário teve o livro em sua posse mas admitiu que era um livro bom mas difícil de encontrar público. O que acham? São leitores preparados para pugilato literário ou daqueles que preferem ser acarinhados pelas suas leituras? Cada um destes tipos de leitor tem as suas vantagens e desvantagens, as suas glórias e misérias mas os primeiros são mais raros.
MJC fala da solidão como poucos escritores em todo o mundo conseguiram: com uma verdade incómoda e impossível de contornar. Uma incomodidade que se torna física e asfixiante. De repente temos de pousar o livro e olhar em roda. Como dizia o Eduardo Pitta, provavelmente não com estas palavras que seguem por fraca memória, a escrita de MJC vale por todo um seminário de escrita criativa.
Curiosamente próximo do livro do Fernando Esteves Pinto está este também violento romance-choque do Paulo José Miranda (primeiro prémio Saramago) a quem desafiei para regressar à edição deste lado do canal - ele vive agora do outro lado do Atlântico.
Uma obra que põe a nu o vazio das relações modernas e a necessidade de uma violência física e psicológica para comunicar os sentimentos que não conseguimos sequer entender por nós próprios. Crítica do nosso mundo da comunicação em que comunicamos levianamente tudo o que temos de superficial para comunicar mas nunca nos abrimos. E quando o queremos fazer não há como.
Alguém há-de lembrar-se de um livro publicado pela Bertrand em Portugal, corria o ano de 1976. Uma obra proibida no Brasil aquando da sua publicação poucos anos antes e só "liberado" 9 anos depois. Cá também esteve fora de circulação até 1976. Chamava-se «Zero» e durante a Expo 98 foi considerada uma das 100 obras de língua portuguesa do século XX.
«Zero», que vamos publicar em Outubro comemorando, cá como no Brasil, o aniversário da sua polémica publicação, será provavelmente o único romance verdadeiramente inovador do século XX depois das experiências modernistas joycianas (ok, a heresia é minha). Este outro, livro com que começamos a publicação das obras de Loyola Brandão por cá, é algo totalmente diferente mas que, também ele, foi inovador na forma como abordou questões ambientais naquilo que poderia chamar-se um pan-romance, sobretudo pela pluralidade de leituras que permite e pela pluralidade de leitores a quem abre a porta.
Diz-se muitas vezes que os autores brasileiros não vendem em Portugal e até é verdade. À excepção daqueles grandes nomes incontornáveis, qualquer nome que se apresente não merece sequer uma palavra da crítica, quanto mais a atenção dos leitores. Daí também o meu desafio: se é um leitor que gosta de qualquer uma seguintes coisas (independentemente se gosta das outras), se gosta de uma grande história seja ela de amor, policial/thriller, ficção científica, ambientalista ou poética; se gosta de obras escritas numa linguagem aparentemente simples mas onde cada palavra para além de se poder ler à superfície encerra em si outros significados e uma poesia tremenda; se gosta de grandes romances metafóricos comparáveis, por exemplo, a «Ensaio sobre a cegueira», mas que vão muito para lá desse livro em qualidade literária propriamente dita e "inventividade", experimente umas páginas deste mundo onde o desaparecimento da camada de ozono obriga o ser humano a viver de noite e debaixo da terra, a comprar frascos com cheiro de flores ou terra molhada e onde, ainda assim, é tão difícil aceitar a nossa culpa em tudo isso como quebrar as regras de um amor.
É isto. Ficam os desafios e esperam-se as opiniões.
Compêndio civilizacional
1 comentários sexta-feira, 17 de junho de 2011Uma das grandes vantagens do Facebook, para além de, por vezes, nos contemplar com eflúvios de palermice, é oferecer algumas grandes sínteses culturais e civilizacionais.
O vídeo em causa é o melhor exemplo da tipologia mencionada e, em si só e em menos de 5 minutos, condensa toda a cultura de um povo de forma bem mais sucinta que a feira da Avenida da Liberdade e o piquenique do Carreira.
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O vídeo em causa é o melhor exemplo da tipologia mencionada e, em si só e em menos de 5 minutos, condensa toda a cultura de um povo de forma bem mais sucinta que a feira da Avenida da Liberdade e o piquenique do Carreira.
Notícias do mundo
0 comentários sexta-feira, 15 de abril de 2011O governo grego anunciou um protocolo de parcerias para produzir um pequeno computador destinado aos jovens estudantes. Trata-se de um modelo apenas com o essencial para permitir a familiarização com as novas tecnologias combatendo a info-exclusão. Ao ser produzido a nível nacional será um notável investimento e fonte de encaixe para as empresas nacionais que o venham a produzir e comercializar. Em honra aos grandes homens e grandes feitos so povo helénico este modelo de pequeno computador chamar-se-á: Sócrates.
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Personagens (1)
0 comentários terça-feira, 15 de fevereiro de 2011Actriz de filmes pornográficos lésbicos grega: Clitmestra.
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Palermas há muitos meu chapéu.
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”
Livros do Ano 2010
6 comentários quarta-feira, 22 de dezembro de 2010Estava a tentar fazer uma lista contida, juro. Mas este ano teve mesmo coisas muito boas. Foi um grande ano cheio de grandes livros. O mercado está a subir na qualidade global das edições e isso agrada-me. Também me agrada ter alguns livros por mim publicados que, não fosse o mau aspecto, colocaria sem hesitações aqui nesta lista.
E no fim de contas em que resultou esta situação de tentar fazer uma lista contida? Numa listagem enorme de coisas boas que não consegui tirar.da longlist.
Assim - e este ano sem imagens - aqui vão os meus [34] livros do ano de 2010:
Os passos perdidos
Alejo Carpentier
Camões & companhia
Edição & Editores - O mundo do livro em Portugal (1940-1970)
Nuno Medeiros
ICS
Parrot e Olivier na América
Peter Carey
Gradiva
O castelo de Gormenghast
Mervyn Peake
Saída de Emergência
Colum McCann
Deixa o grande mundo girar
Civilização
(li em inglês, não sei o estado da tradução portuguesa)
Bibliotecas cheias de fantasmas
Jacques Bonnet
Quetzal
Klas Östergen
Gangsters
Estampa
(Já li este livro, também parte de uma trilogia nórdica - para mim e de longe melhor que o Stieg Larsson - há uns anos, creio que este livro é de 2010, se não for não faz mal)
Subway Life
António Jorge Gonçalves
Assírio&Alvim
Livro rosé de sua santidade o camarada-presidente Vieira
Assírio&Alvim
A viagem do Beagle
Charles Darwin
Relógio d'Água
Contos
Ambrose Bierce
Saída de Emergência
&
Contos Completos
Ambrose Bierce
Eucleia
Adoecer
Hélia Correia
Relógio d'Água
A Primavera há-de chegar Bandini
John Fante
Ahab
O jogador de râguebi
Óscar Bustamante
Bizâncio
Uma viagem à Índia
Gonçalo M. Tavares
Caminho
(não é para ser do contra, mas gostei mesmo mais...)
Homens, espadas e tomates
Rainer Dernhardt
Zéfiro
De espécie complicada
Abel Barros Baptista
Angelus Novus
Brevíssimo Inventário
Marcello Duarte Mathias
Dom Quixote
Divórcio em Buda
Sandor Marai
Dom Quixote
Nasci para Nascer
Pablo Neruda
Europa-América
(li em castelhano, não sei da qualidade da tradução)
O passado
Alan Pauls
Dom Quixote
O fim do império romano
Adrian Goldsworth
Esfera dos Livros
Escritos pornográficos
Boris Vian
Guerra & Paz
Um mundo deste tamanho
Pedro Cotrim
Centro Atlântico
Os objectos chamam-nos
Juan José Millás
Planeta
(uma das piores capas do ano)
Os livros que devoraram o meu pai
Afonso Cruz
Caminho
Popville
Boisrobert & Rigaud
Bruáa
História política do diabo
Daniel Defoe
Guerra & Paz
A arte de dar peidos
Pierre Thomas-nicolas Hurtaut
Orfeu Negro
Livro
José Luís Peixoto
Quetzal
Quinze dias no deserto americano
Alexis de Tocqueville
Angelus Novus
A assombrosa viagem de Pompónio Flato
Eduardo Mendoza
Sextante
Memórias
Rómulo de Carvalho
Fundação Calouste Gulbenkian
Viva México
Alexandra Lucas Coelho
Tinta da China
Para a melhor capa do ano, embora o livro, sendo bom, não seja dos meus favoritos:
Ágape, agonia
William Gaddis
Ahab
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E no fim de contas em que resultou esta situação de tentar fazer uma lista contida? Numa listagem enorme de coisas boas que não consegui tirar.da longlist.
Assim - e este ano sem imagens - aqui vão os meus [34] livros do ano de 2010:
Os passos perdidos
Alejo Carpentier
Camões & companhia
Edição & Editores - O mundo do livro em Portugal (1940-1970)
Nuno Medeiros
ICS
Parrot e Olivier na América
Peter Carey
Gradiva
O castelo de Gormenghast
Mervyn Peake
Saída de Emergência
Colum McCann
Deixa o grande mundo girar
Civilização
(li em inglês, não sei o estado da tradução portuguesa)
Bibliotecas cheias de fantasmas
Jacques Bonnet
Quetzal
Klas Östergen
Gangsters
Estampa
(Já li este livro, também parte de uma trilogia nórdica - para mim e de longe melhor que o Stieg Larsson - há uns anos, creio que este livro é de 2010, se não for não faz mal)
Subway Life
António Jorge Gonçalves
Assírio&Alvim
Livro rosé de sua santidade o camarada-presidente Vieira
Assírio&Alvim
A viagem do Beagle
Charles Darwin
Relógio d'Água
Contos
Ambrose Bierce
Saída de Emergência
&
Contos Completos
Ambrose Bierce
Eucleia
Adoecer
Hélia Correia
Relógio d'Água
A Primavera há-de chegar Bandini
John Fante
Ahab
O jogador de râguebi
Óscar Bustamante
Bizâncio
Uma viagem à Índia
Gonçalo M. Tavares
Caminho
(não é para ser do contra, mas gostei mesmo mais...)
Homens, espadas e tomates
Rainer Dernhardt
Zéfiro
De espécie complicada
Abel Barros Baptista
Angelus Novus
Brevíssimo Inventário
Marcello Duarte Mathias
Dom Quixote
Divórcio em Buda
Sandor Marai
Dom Quixote
Nasci para Nascer
Pablo Neruda
Europa-América
(li em castelhano, não sei da qualidade da tradução)
O passado
Alan Pauls
Dom Quixote
O fim do império romano
Adrian Goldsworth
Esfera dos Livros
Escritos pornográficos
Boris Vian
Guerra & Paz
Um mundo deste tamanho
Pedro Cotrim
Centro Atlântico
Os objectos chamam-nos
Juan José Millás
Planeta
(uma das piores capas do ano)
Os livros que devoraram o meu pai
Afonso Cruz
Caminho
Popville
Boisrobert & Rigaud
Bruáa
História política do diabo
Daniel Defoe
Guerra & Paz
A arte de dar peidos
Pierre Thomas-nicolas Hurtaut
Orfeu Negro
Livro
José Luís Peixoto
Quetzal
Quinze dias no deserto americano
Alexis de Tocqueville
Angelus Novus
A assombrosa viagem de Pompónio Flato
Eduardo Mendoza
Sextante
Memórias
Rómulo de Carvalho
Fundação Calouste Gulbenkian
Viva México
Alexandra Lucas Coelho
Tinta da China
Para a melhor capa do ano, embora o livro, sendo bom, não seja dos meus favoritos:
Ágape, agonia
William Gaddis
Ahab
Sintoma
0 comentários sábado, 30 de outubro de 2010Os amigos dos meus vizinhos tocam sempre à minha campainha. Compreendo. É natural na situação actual do nosso país que se confunda constantemente a esquerda com a direita e vice-versa.
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O último homem
2 comentários quinta-feira, 28 de outubro de 2010Não vou falar sobre o livro senão para dizer que, pessoalmente (com toda a subjectividade que há num editor que fala de um livro que está a publicar), considero este um dos grandes romances do século XX.
Falo sobretudo sobre esse grande personagem que foi M. P. Shiel, primeiro rei - Felipe - de Redonda, um rochedo deserto perto da ilha de Montserrat, no Caribe, local onde nascera. Falo do amigo de Salvador Dalí e Reynolds Morse. Sobretudo falo do escritor excêntrico, considerado por quase todos os grandes nomes da literatura, seus contemporâneos e seus herdeiros, como o grande escritor que ninguém conhecia. Um escritor para escritores. Falo do homem que viu a quase todas as suas obras enfiadas em escaparates dedicados à literatura fantástica quando as suas obras são, acima de tudo, portentos em que a filosofia e a simbologia ocupam grande parte de enredos magníficos. Quem já leu o conto fin-de-siècle que divulguei neste blogue, ter-se-á já apercebido de tal.
É um escritor acima de muitos, de quase todos; um escritor que não escreve fantasia ou ficção científica e, no entanto, é fantástico e antecipa muito do que se veio a escrever, pensar e reivindicar ao longo do século que se lhe seguiu. Nesta obra, por exemplo, é ecológico, teológico, aventureiro, questionante, muito perturbador e - sempre - genial.
Ah, e sobre quem seja o último homem... só mesmo lendo o livro.
read more “O último homem”
Falo sobretudo sobre esse grande personagem que foi M. P. Shiel, primeiro rei - Felipe - de Redonda, um rochedo deserto perto da ilha de Montserrat, no Caribe, local onde nascera. Falo do amigo de Salvador Dalí e Reynolds Morse. Sobretudo falo do escritor excêntrico, considerado por quase todos os grandes nomes da literatura, seus contemporâneos e seus herdeiros, como o grande escritor que ninguém conhecia. Um escritor para escritores. Falo do homem que viu a quase todas as suas obras enfiadas em escaparates dedicados à literatura fantástica quando as suas obras são, acima de tudo, portentos em que a filosofia e a simbologia ocupam grande parte de enredos magníficos. Quem já leu o conto fin-de-siècle que divulguei neste blogue, ter-se-á já apercebido de tal.
É um escritor acima de muitos, de quase todos; um escritor que não escreve fantasia ou ficção científica e, no entanto, é fantástico e antecipa muito do que se veio a escrever, pensar e reivindicar ao longo do século que se lhe seguiu. Nesta obra, por exemplo, é ecológico, teológico, aventureiro, questionante, muito perturbador e - sempre - genial.
Ah, e sobre quem seja o último homem... só mesmo lendo o livro.
Pimpineirização
0 comentários quinta-feira, 21 de outubro de 2010Ontem vi o frente a frente da SIC notícias com o António Barreto e o Miguel Sousa Tavares e cheguei à triste conclusão que a actual situação socio-económica do país teve este particular efeito: todos os comentadores acabaram de se transformar em Medinas Carreiras.
read more “Pimpineirização”
Bolaño dixit
0 comentáriosBolaño dizia que era impossível parar de ler qualquer história escrita por Pablo Simonetti. A nova coqueluche das letras sul-americanas é um fenómeno imparável. Saiu do Chile para o mundo depois de conseguir várias proezas: ganhou os prémios mais importantes, foi louvado por toda a crítica literária e ao mesmo tempo destronou por três vezes consecutivas (as dos seus três romances) Isabel Allende dos tops de vendas (e isto é totalmente inédito). Aliado a tudo isto, diz-me uma das minhas assistentes, é giro.
Os temas são mundanos mas a profundidade, sentido de humor, e o simples talento literário catapultam a qualidade da escrita deste autor para uma dimensão apenas ao alcance de muito poucos: aqueles raros nomes que sendo brilhantes agradam a gregos e troianos (entenda-se ao público erudito e ao não tanto).
Gostava de saber a vossa opinião.
read more “Bolaño dixit”
Os temas são mundanos mas a profundidade, sentido de humor, e o simples talento literário catapultam a qualidade da escrita deste autor para uma dimensão apenas ao alcance de muito poucos: aqueles raros nomes que sendo brilhantes agradam a gregos e troianos (entenda-se ao público erudito e ao não tanto).
Gostava de saber a vossa opinião.
Surpresa, Surpresa
6 comentáriosFoi uma daquelas coisas. Um dia pus-me a pensar: quem, de entre aqueles génios do cinema, poderia ter escrito um grande livro? Orson Welles foi o nome que me surgiu de imediato. Atirei-me à Amazon descrente para ser surpreendido. Havia um livro, melhor - um romance!
Depois surgiram as questões: terá sido mesmo Welles a escrever o livro? O seu secretário? Terá Welles ditado o livro a outra pessoa? Sabe-se apenas de onde veio a base da história: do grande filme que Welles nunca realizou. Com efeito, a meio da realização de Mr. Arkadin, Welles viu serem-lhe cortadas as pernas (a nível orçamental). Esteve para repudiar o filme e retirar o seu nome. Este livro, publicado poucos anos depois tem por base as notas de Welles que pretendia ultrapassar «Citizen Kane» e criar o fresco da sociedade contemporânea e de todo o século XX vivido até à altura.
A ideia da investigação do passado obscuro de um multimilionário internacional amnésico cruzava personagens do «Terceiro Homem» de Graham Greene e da continuação das aventuras de Harry Lime que Welles desenvolvera em novela radiofónica. Mas outros personagens de outros filmes, de outras produções radiofónicas de outras obras literárias cruzariam o enredo construindo um retrato panorâmico inigualável.
A maestria com que está escrito é, também ela, inegável o que demonstra a mão presente e firme de Welles. Se todas as palavras são suas ninguém o virá a saber mas que a importância do livro para a compreensão do homem e do seu tempo e, a um nível mais geral, a relevância da obra em termos literários ecinematográficos - em termos culturais no geral - é algo indiscutível.
Venham conhecer esta «sórdida vida secreta» do século XX.
read more “Surpresa, Surpresa”
Depois surgiram as questões: terá sido mesmo Welles a escrever o livro? O seu secretário? Terá Welles ditado o livro a outra pessoa? Sabe-se apenas de onde veio a base da história: do grande filme que Welles nunca realizou. Com efeito, a meio da realização de Mr. Arkadin, Welles viu serem-lhe cortadas as pernas (a nível orçamental). Esteve para repudiar o filme e retirar o seu nome. Este livro, publicado poucos anos depois tem por base as notas de Welles que pretendia ultrapassar «Citizen Kane» e criar o fresco da sociedade contemporânea e de todo o século XX vivido até à altura.
A ideia da investigação do passado obscuro de um multimilionário internacional amnésico cruzava personagens do «Terceiro Homem» de Graham Greene e da continuação das aventuras de Harry Lime que Welles desenvolvera em novela radiofónica. Mas outros personagens de outros filmes, de outras produções radiofónicas de outras obras literárias cruzariam o enredo construindo um retrato panorâmico inigualável.
A maestria com que está escrito é, também ela, inegável o que demonstra a mão presente e firme de Welles. Se todas as palavras são suas ninguém o virá a saber mas que a importância do livro para a compreensão do homem e do seu tempo e, a um nível mais geral, a relevância da obra em termos literários ecinematográficos - em termos culturais no geral - é algo indiscutível.
Venham conhecer esta «sórdida vida secreta» do século XX.
Quem conta tais contos?
0 comentáriosLembrar-se-ão alguns da Cláudia Clemente cujo livro de estreia, «Caderno Nergro» (2003), foi louvado pela crítica como obra revelação de um grande novo talento. Após a publicação desse livro a Cláudia, poli-artística, dedicou-se a outras artes e outros vôos - apesar de ter continuado a publicar contos em diversas revistas e antologias.
Coincidiu com a minha chegada a esta casa que a Cláudia tivesse decidido voltar a publicar. E assim surgiu este «A Fábrica da Noite» que retoma o percurso de escrita de uma grande autora.
Mantém muito do ambiente fantástico que cruzava os seus primeiros contos mas a escrita evoluiu. Agora é mais abrangente. Há contos para todos os gostos mas o estilo é único e a atmosfera é minuciosamente construída com uma oncisão ímpar, sejam os contos eróticos, fantásticos, quase detectivescos ou frescos de cantos alternativos da nossa realidade.
Patifes... como nós
1 comentários domingo, 17 de outubro de 2010Durante anos o império britânico "exportou" para a Oceania o que de pior produzia - falo de seres humanos. A escumalha das ilhas britânicas e os membros menos obedientes dos exércitos de Suas Magestades encheram barcos e barcos a caminho daquelas terras longe de tudo.
No final do século XIX a coisa alterou-se ligeiramente: algumas rotas marítimas importantes começaram a fazer da Austrália algo mais do que uma prisão distante e pouco incómoda. a própria modernidade intelectual já não permitia a culpabilização das gerações de filhos da escumalha. Ainda assim e apesar das mudanças a vida não era fácil naquele mundo distante.
***
Noutro dia, ao passar na FNAC do Chiado descobri este livro delicioso - que pelos vistos vem já na sequência de um outro do mesmo autor (Peter Boyle) - «Crooks like us» publicado em Sydney pelo Historic Houses Trust é uma viagem espantosa ao arquivo fotográfico da polícia de Sydney nas primeiras décadas do século XX.

Homens e mulheres desfilam face à máquina do tempo que os preservará até hojeao mesmo tempo que o seu autor procura recnstituir, como um detective do tempo, as suas vidas e os seus crimes. O livro inclui um notável estudo social e criminal sobre estes homens e as suas circunstâncias.
Será que por cá temos arquivos como estes? e os ficheiros da polícia a eles respeitantes... existem ainda? Se alguém souber gostaria de fazer algo semelhante por cá. Enquanto isso vou procurar o outro livro do autor.
Romance de um homem simples
0 comentários sábado, 16 de outubro de 2010Não sei porquê mas sempre que leio estes grandes nomes da literatura de inspiração judaica, sobretudo os que escreveram na Europa entre o século XIX e o século XX, fico deslumbrado. Parecem ser quase todos excepcionais.
O meu fascínio terá começado ao ler Schwarz-bart mas depois naveguei por outros nomes e escritores e há uns anos atrás cheguei a Roth, este, o Joseph, que há outros. a sua escrita aparentemente simples e os grandes dramas da existência e da fé desenhados sem hiperbole e com uma maestria singular marcaram-me pessoalmente.
Assim quis começar este novo projecto da Ulisseia com uma das obras essenciais de Joseph Roth, talvez, segundo alguns, a sua obra-prima. Pessoalmente creio que é um dos melhores romances do século XX, escrito quando esse mesmo século era ainda criança mas já tinha sofrido bastante.
Mariana
5 comentáriosOutro dos projectos que tinha há muito tempo era a publicação das obras da Maria Judite de Carvalho. Uma escritora que esteve sempre um pouco na margem das grandes correntes e dos grandes nomes da nossa literatura mas cuja obra merece ser de novo trazida à ribalta. Este é o primeiro volume que, espero, possa vir cumprir um pouco essedesígnio.
Para quem não conhece, a escrita de MJC bebe um pouco do "nouveau roman" mas é sobretudo na poesia contida, na imagem e na atmosfera claustrofóbicas de um mundo vazio cheio de solidão que está o segredo de um estilo ímpar.
Espero que gostem.
Um dos grandes livros de viagens de todos os tempos e uma história imortal.
0 comentários sexta-feira, 15 de outubro de 2010Amigo pessoal de Oscar Wilde, Henry DeVere Stacpoole, abandonou Inglaterra pouco após o início dos julgamentos do amigo.Médico embarcadiço, mal voltou a pisar solo das ilhas britânicas. Fez as carreiras do Pacífico e do Índico onde ouviu as histórias exóticas das rotas frequentadas e daquelas que raramente eram sulcadas.
Escreveu muito, quase tudo ficção inspirada nas suas andanças por aqueles incomuns cantos do mundo. Escreveu um livro que foi provavelmente o primeiro best-seller silencioso do século XX: «A Lagoa Azul».
Este livro tinha-o na ideia há muitos anos. Pedi ao Nuno Batalha para fazer a tradução e goistava de vos desafiar à sua leitura. É um livro escrito num estilo e com um espírito de outras épocas, quando o mundo era mais jovem e ainda cheio de desconhecidos como a vida dos dois jovens protagonistas.
Sctacpoole teve de escrever mais 8 livros que continuaram a história dos personagens, tal o sucesso deste livro que teve sempre edições sucessivas em língua inglesa até hoje. Esta é a primeira edição portuguesa.
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Escreveu muito, quase tudo ficção inspirada nas suas andanças por aqueles incomuns cantos do mundo. Escreveu um livro que foi provavelmente o primeiro best-seller silencioso do século XX: «A Lagoa Azul».
Este livro tinha-o na ideia há muitos anos. Pedi ao Nuno Batalha para fazer a tradução e goistava de vos desafiar à sua leitura. É um livro escrito num estilo e com um espírito de outras épocas, quando o mundo era mais jovem e ainda cheio de desconhecidos como a vida dos dois jovens protagonistas.
Sctacpoole teve de escrever mais 8 livros que continuaram a história dos personagens, tal o sucesso deste livro que teve sempre edições sucessivas em língua inglesa até hoje. Esta é a primeira edição portuguesa.
Volver sempre aos Pythons
0 comentários segunda-feira, 9 de agosto de 2010Simplesmente genial esta curta de Terry Gilliam para o DVD de "The meaning of Life". Obviamente convém rever o "The crimson pirate" de Robert Siodmark.
parte 1
parte 2
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parte 1
parte 2
Editar, O Regresso
1 comentários sexta-feira, 6 de agosto de 2010Caros Amigos, é com muito gosto que volto a falar de livros.
Aqui na Babel sou editor de ficção da chancela Ulisseia que se pretende venha a aproximar-se da marca de prestígio histórico que foi a Ulisseia dos anos 50 e 60. Uma editora orientada para todos os que gostam de grande literatura e que alternará grandes nomes da literatura universal com os novos valores da ficção. Iremos também publicar alguns autores nacionais mas preferimos fazê-lo com a atenção que merecem pelo que ainda serão poucos este ano.
Assim quero passar desde já ao menu deste ano para vos abrir o apetite mas com a garantia de que estes são apenas a ponta do iceberg.
Para além de grandes nomes e obras, clássicos contemporâneos e clássicos “clássicos” como Cervantes, Poe, Golding, Conrad, Guimarães Rosa, Onetti, Joseph Roth, Pavese e entre muitos outros, gostaria de destacar:
A primeira edição portuguesa de A TRAIÇÃO DE RITA HAYWORTH do Argentino Manuel Puig.
A tradução do BREAK IT DOWN DE Lydia Davis, colecção de contos poderosa da uma das vozes mais notáveis da contemporânea ficção norte-americana. (talvez convenha relembrar que Lydia Davis tinha acabado de se divorciar de Paul Auster quando escreveu este livro que arrasa o parceiro masculino da relação.)
A primeira tradução para língua portuguesa de TAPEÇARIA DO SINAI daquele que é considerado o grande escritor americano esquecido, Edward Whittemore. O primeiro de um quarteto de romances independentes que traçam alegoricamente a história do Médio Oriente.
O CAPITÃO DAS SARDINHAS de Manuel Manzano, autor que a Vanity Fair definiu como “Stieg Larsson + Roberto Bolaño = Manuel Manzano”. Este romance delirante quebra todos os estereótipos do romance policial banhando o leitor numa dose de humor radical com que descreve a vida e feitos do primeiro serial killer cego.
A Ulisseia vai também publicar um conjunto de autores de culto que pouco ou nada têm sido divulgados no nosso país: Max Aub, Stefano Benni, Thomas Berger, Heinrich Böll, Charles Bukowski e muitos outros. Mas também…
O romance sensação das letras australianas do estreante Steve Stoltz, UMA PARTE DO TODO, que apanhou o mundo das letras de surpresa e foi finalista do Booker e do Guardian First Fiction Award.
Daremos também início à publicação das obras de Hernán Rivera Letelier, um dos mais importantes autores chilenos no qual aposto pessoalmente. Recentemente ganhou o prémio Alfaguara de narrativa.
E a Ulisseia não deixará de lado uma parte muito importante da sua missão ao traduzir de literaturas menos comuns obras essenciais da ficção moderna e contemporânea como:
QUATRO PAREDES, o romance sensação de Vangelis Hatziyannidis. Considerado uma das obras mais importantes da ficção mediterrânica contemporânea.
A obra-prima do romance modernista russo, PETERSBURGO, de Andrey Bely. Um romance fundamental da literatura universal absolutamente incontornável.
De Tarjei Veesas, autor norueguês proposto 6 vezes ao Nobel e um dos mais importantes vultos das letras escandinavas que aparecerá também pela primeira vez em língua portuguesa, NOITE DE PRIMAVERA.
Haverá também algumas surpresas como é o caso do único romance de Orson Welles, escrito com base no argumento cinematográfico homónimo de 1955 e em vários episódios da vida de Harry Lime (como a desenvolveu no seu programa radiofónico).
No que toca aos autores de língua portuguesa queria destacar o regresso de Cláudia Clemente, a autora que surpreendeu o meio literário em 2003 com o seu “Caderno Negro” e o começo da publicação das obras de Maria Judite de Carvalho. Por último destaco o regresso ao mercado português do brasileiro Ignácio de Loyola Brandão, autor de “Zero” romance de choque que revolucionou a narrativa brasileira e que foi eleito um dos 100 livros do século XX. Este ano publicaremos o seu romance NÃO VERÁS PAÍS NENHUM.
Para além destes gostaria de anunciar alguns títulos de que vou ser editor na chancela Arcádia e que, estou certo, merecerão igualmente o vosso interesse:
Começaria pelo romance MÃE QUE ESTAIS NO CÉU do chileno Pablo Simonetti, a nova coqueluche das letras chilenas, um autor de quem Bolaño se confessava admirador e que nos últimos anos, sendo eminentemente literário conseguiu ultrapassar – coisa inaudita – em termos de vendas Isabel Allende.
Do pai da publicidade moderna David Ogilvy chegam-nos as suas CONFISSÕES DE UM HOMEM DA PUBLICIDADE, uma obra que, para além do seu valor intrínseco enquanto descrição de um percurso notável, é também um manual essencial para o mundo em que vivemos.
Com dezenas de adaptações ao teatro, a versão musical de Rodgers e Hammerstein, três adaptações ao cinema (a primeira com Rex Harrison, a segunda com Deborah Kerr e Yul Brynner e a mais recente com Jodie Foster), poucos são os leitores que conhecem a verdadeira história de Anne Leonowens, A GOVERNANTA INGLESA NA CORTE DO SIÃO, uma das grandes narrativas de viagens do século XIX que verá pela primeira vez a luz do dia em Portugal.
Também pela primeira vez em língua portuguesa A LAGOA AZUL de Harry DeVere Stacpoole, um fabuloso romance de aventuras e viagens que infelizmente viu uma adaptação cinematográfica de algum mau-gosto estragar uma reputação adquirida nos anos seguintes à sua publicação. Stacpoole era médico de bordo e fazia as rotas do Pacífico e Índico. Era amigo de Oscar Wilde e os seus romances de viagens são considerados obras essenciais do género.
Por último e porque o tempo urge apenas uma nota para ACONSELHAMENTO PARA SAPOS do britânico Robert de Board que coloca todos os personagens clássicos de “O vento nos salgueiros” no divã ao mesmo tempo que constrói um pequeno manual essencial de psicanálise e aconselhamento.
E há muito mais por aí...
read more “Editar, O Regresso”
Aqui na Babel sou editor de ficção da chancela Ulisseia que se pretende venha a aproximar-se da marca de prestígio histórico que foi a Ulisseia dos anos 50 e 60. Uma editora orientada para todos os que gostam de grande literatura e que alternará grandes nomes da literatura universal com os novos valores da ficção. Iremos também publicar alguns autores nacionais mas preferimos fazê-lo com a atenção que merecem pelo que ainda serão poucos este ano.
Assim quero passar desde já ao menu deste ano para vos abrir o apetite mas com a garantia de que estes são apenas a ponta do iceberg.
Para além de grandes nomes e obras, clássicos contemporâneos e clássicos “clássicos” como Cervantes, Poe, Golding, Conrad, Guimarães Rosa, Onetti, Joseph Roth, Pavese e entre muitos outros, gostaria de destacar:
A primeira edição portuguesa de A TRAIÇÃO DE RITA HAYWORTH do Argentino Manuel Puig.
A tradução do BREAK IT DOWN DE Lydia Davis, colecção de contos poderosa da uma das vozes mais notáveis da contemporânea ficção norte-americana. (talvez convenha relembrar que Lydia Davis tinha acabado de se divorciar de Paul Auster quando escreveu este livro que arrasa o parceiro masculino da relação.)
A primeira tradução para língua portuguesa de TAPEÇARIA DO SINAI daquele que é considerado o grande escritor americano esquecido, Edward Whittemore. O primeiro de um quarteto de romances independentes que traçam alegoricamente a história do Médio Oriente.
O CAPITÃO DAS SARDINHAS de Manuel Manzano, autor que a Vanity Fair definiu como “Stieg Larsson + Roberto Bolaño = Manuel Manzano”. Este romance delirante quebra todos os estereótipos do romance policial banhando o leitor numa dose de humor radical com que descreve a vida e feitos do primeiro serial killer cego.
A Ulisseia vai também publicar um conjunto de autores de culto que pouco ou nada têm sido divulgados no nosso país: Max Aub, Stefano Benni, Thomas Berger, Heinrich Böll, Charles Bukowski e muitos outros. Mas também…
O romance sensação das letras australianas do estreante Steve Stoltz, UMA PARTE DO TODO, que apanhou o mundo das letras de surpresa e foi finalista do Booker e do Guardian First Fiction Award.
Daremos também início à publicação das obras de Hernán Rivera Letelier, um dos mais importantes autores chilenos no qual aposto pessoalmente. Recentemente ganhou o prémio Alfaguara de narrativa.
E a Ulisseia não deixará de lado uma parte muito importante da sua missão ao traduzir de literaturas menos comuns obras essenciais da ficção moderna e contemporânea como:
QUATRO PAREDES, o romance sensação de Vangelis Hatziyannidis. Considerado uma das obras mais importantes da ficção mediterrânica contemporânea.
A obra-prima do romance modernista russo, PETERSBURGO, de Andrey Bely. Um romance fundamental da literatura universal absolutamente incontornável.
De Tarjei Veesas, autor norueguês proposto 6 vezes ao Nobel e um dos mais importantes vultos das letras escandinavas que aparecerá também pela primeira vez em língua portuguesa, NOITE DE PRIMAVERA.
Haverá também algumas surpresas como é o caso do único romance de Orson Welles, escrito com base no argumento cinematográfico homónimo de 1955 e em vários episódios da vida de Harry Lime (como a desenvolveu no seu programa radiofónico).
No que toca aos autores de língua portuguesa queria destacar o regresso de Cláudia Clemente, a autora que surpreendeu o meio literário em 2003 com o seu “Caderno Negro” e o começo da publicação das obras de Maria Judite de Carvalho. Por último destaco o regresso ao mercado português do brasileiro Ignácio de Loyola Brandão, autor de “Zero” romance de choque que revolucionou a narrativa brasileira e que foi eleito um dos 100 livros do século XX. Este ano publicaremos o seu romance NÃO VERÁS PAÍS NENHUM.
Para além destes gostaria de anunciar alguns títulos de que vou ser editor na chancela Arcádia e que, estou certo, merecerão igualmente o vosso interesse:
Começaria pelo romance MÃE QUE ESTAIS NO CÉU do chileno Pablo Simonetti, a nova coqueluche das letras chilenas, um autor de quem Bolaño se confessava admirador e que nos últimos anos, sendo eminentemente literário conseguiu ultrapassar – coisa inaudita – em termos de vendas Isabel Allende.
Do pai da publicidade moderna David Ogilvy chegam-nos as suas CONFISSÕES DE UM HOMEM DA PUBLICIDADE, uma obra que, para além do seu valor intrínseco enquanto descrição de um percurso notável, é também um manual essencial para o mundo em que vivemos.
Com dezenas de adaptações ao teatro, a versão musical de Rodgers e Hammerstein, três adaptações ao cinema (a primeira com Rex Harrison, a segunda com Deborah Kerr e Yul Brynner e a mais recente com Jodie Foster), poucos são os leitores que conhecem a verdadeira história de Anne Leonowens, A GOVERNANTA INGLESA NA CORTE DO SIÃO, uma das grandes narrativas de viagens do século XIX que verá pela primeira vez a luz do dia em Portugal.
Também pela primeira vez em língua portuguesa A LAGOA AZUL de Harry DeVere Stacpoole, um fabuloso romance de aventuras e viagens que infelizmente viu uma adaptação cinematográfica de algum mau-gosto estragar uma reputação adquirida nos anos seguintes à sua publicação. Stacpoole era médico de bordo e fazia as rotas do Pacífico e Índico. Era amigo de Oscar Wilde e os seus romances de viagens são considerados obras essenciais do género.
Por último e porque o tempo urge apenas uma nota para ACONSELHAMENTO PARA SAPOS do britânico Robert de Board que coloca todos os personagens clássicos de “O vento nos salgueiros” no divã ao mesmo tempo que constrói um pequeno manual essencial de psicanálise e aconselhamento.
E há muito mais por aí...
Os frutos
0 comentários sexta-feira, 23 de julho de 2010Estes últimos meses têm sido de quase total silêncio (verbal) no blogue. A razão? O muito trabalho. Mas esse trabalho dá frutos.
Em meados de Setembro a Ulisseia dará os primeiros passos com um programa de mais de 30 títulos que em breve serão anunciados aqui e noutros locais.
Tenho a certeza de que aqueles que seguiram [obrigado ML, a pressa dá em coisas destas] o meu trabalho anterior vão perceber a continuidade dos principios que o regem e, por isso também, gostaria que me fossem dando os vossos pareceres.
E, claro, a todos os que apoiaram, o meu muito obrigado.
read more “Os frutos”
Em meados de Setembro a Ulisseia dará os primeiros passos com um programa de mais de 30 títulos que em breve serão anunciados aqui e noutros locais.
Tenho a certeza de que aqueles que seguiram [obrigado ML, a pressa dá em coisas destas] o meu trabalho anterior vão perceber a continuidade dos principios que o regem e, por isso também, gostaria que me fossem dando os vossos pareceres.
E, claro, a todos os que apoiaram, o meu muito obrigado.
Cinema surpresa
0 comentários domingo, 6 de junho de 2010Chegou do oriente por recomendação mas nem lhe liguei muito. Ficou na pilha de filmes a ver. Hoje decidi-me a arriscar e tive uma grande surpresa. Provavelmente um dos mais notáveis filmes que tenho visto nos últimos tempos.
A história é simples, um yuppie endividado e em ruptura amorosa decide suicidar-se atirando-se da ponte sobre o rio Han. Sobrevive e acaba na praia da pequena ilha deserta onde se apoiam os pilares da ponte que atravessa o rio. À margem da sociedade asiática sempre ocupada e mecânica na sua movimentação este náufrago descobre o lado de lá da vida moderna.
A única pessoa que o vê vive também ela à margem da sociedade, fechada no seu quarto num medo psicótico do mundo exterior.
A história parecia boa e à medida que vai sendo construída torna-se uma história potentosa. Deixa de lado a boa cinematografia coreana actual para se deslocar estelar-me para um nível muito acima. Pelo caminho "O náufrago" de Spielberg e Tom hanks parecem uma brincadeira de meninos, ultrapassado em termos de inteligência, originalidade, pela profundidade com que o tema é tratado, pelo humor simples e puro e pela espantosa carga emocional em que arrasta o espectador.
Como escreve um leitor no imdb, lembra em certos momentos o grande "Chungking Express". Creio ainda assim que é melhor no seu tratamento dos náufragos sociais. Bate aos pontos todos os filmes orientais que tenho visto nos últimos anos, seja em termos realização, argumento, música, fotografia ou mesmo da performance dos actores. O actor começa por algum over-acting mas rapidamente o corrige, a actriz não falha em momento algum.
Que grande filme!
read more “Cinema surpresa”
A história é simples, um yuppie endividado e em ruptura amorosa decide suicidar-se atirando-se da ponte sobre o rio Han. Sobrevive e acaba na praia da pequena ilha deserta onde se apoiam os pilares da ponte que atravessa o rio. À margem da sociedade asiática sempre ocupada e mecânica na sua movimentação este náufrago descobre o lado de lá da vida moderna.
A única pessoa que o vê vive também ela à margem da sociedade, fechada no seu quarto num medo psicótico do mundo exterior.
A história parecia boa e à medida que vai sendo construída torna-se uma história potentosa. Deixa de lado a boa cinematografia coreana actual para se deslocar estelar-me para um nível muito acima. Pelo caminho "O náufrago" de Spielberg e Tom hanks parecem uma brincadeira de meninos, ultrapassado em termos de inteligência, originalidade, pela profundidade com que o tema é tratado, pelo humor simples e puro e pela espantosa carga emocional em que arrasta o espectador.
Como escreve um leitor no imdb, lembra em certos momentos o grande "Chungking Express". Creio ainda assim que é melhor no seu tratamento dos náufragos sociais. Bate aos pontos todos os filmes orientais que tenho visto nos últimos anos, seja em termos realização, argumento, música, fotografia ou mesmo da performance dos actores. O actor começa por algum over-acting mas rapidamente o corrige, a actriz não falha em momento algum.
Que grande filme!
Ulisseia, vêm aí coisas boas!
2 comentários sábado, 29 de maio de 2010Depois de muita luta e labuta, posso agora afirar que a partir de setembro, a nova Ulisseia vai aproximar-se muito da antiga Ulisseia. Grandes nomes, grandes livros, grande literatura. E por agora não faço mais publicidade.
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Procuram-se tradutores
0 comentários segunda-feira, 24 de maio de 2010Já tinha colocado anúncio para procurar tradutores de línguas menos comuns - e deles continuo a precisar - mas precisarei também de tradutores experimentados de italiano, inglês, alemão, castelhano (com experiência nas variantes sul-americanas). Mandem-me CV's sff. hugo_xavier@yahoo.com
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Vem aí um dos livros do ano
8 comentários domingo, 25 de abril de 2010Foram rumores internacionais que o anunciaram - espero que se confirmem. Parece que a Saída de Emergência, depois de recentemente ter lançado o divertidíssimo Flashman de George MacDonald Fraser, volta a surpreender com um daqueles livros que é uma obra incontornável da literatura universal e, infelizmente, totalmente ignorado neste canteiro beira-mar plantado.
Falo-vos do primeiro volume da trilogia Gormenghast de Mervyn Peake. Para quem não sabe, Peake foi um dos grandes ilustradores da primeira metade do século XX. Criou, por exemplo, um dos mais fantásticos Long John Silver's para o clássico imortal de Stevenson.
[Afinal, corrige-me e bem a Safaa Dib, o primeiro volume saiu para um vazio de crítica em 2007 e o livro do ano que aí vem será pois o segundo da trilogia]
Enquanto escritor, Peake publicou os três primeiros volumes desta saga e uma pequena novela antes de ficar diminuído a tal ponto pela doença de Parkinson que não a pôde continuar. Ainda assim, e para quem conhece, esta é uma das obras literárias, erradamente classificada como fantasia, com maior força do século XX.
Deixo-vos apenas a indicação de que o personagem principal destes três livros é o castelo onde a história decorre. Não percam esta obra-prima e - recomendação aos editores - cuidado com a tradução que, mal feita, pode matar o livro. Esta é uma obra literária de explendor linguístico quase inigalável na literatura britânica e, portanto, de difícil tradução.
read more “Vem aí um dos livros do ano”
Falo-vos do primeiro volume da trilogia Gormenghast de Mervyn Peake. Para quem não sabe, Peake foi um dos grandes ilustradores da primeira metade do século XX. Criou, por exemplo, um dos mais fantásticos Long John Silver's para o clássico imortal de Stevenson.
[Afinal, corrige-me e bem a Safaa Dib, o primeiro volume saiu para um vazio de crítica em 2007 e o livro do ano que aí vem será pois o segundo da trilogia]
Enquanto escritor, Peake publicou os três primeiros volumes desta saga e uma pequena novela antes de ficar diminuído a tal ponto pela doença de Parkinson que não a pôde continuar. Ainda assim, e para quem conhece, esta é uma das obras literárias, erradamente classificada como fantasia, com maior força do século XX.
Deixo-vos apenas a indicação de que o personagem principal destes três livros é o castelo onde a história decorre. Não percam esta obra-prima e - recomendação aos editores - cuidado com a tradução que, mal feita, pode matar o livro. Esta é uma obra literária de explendor linguístico quase inigalável na literatura britânica e, portanto, de difícil tradução.
Um blogue também serve para isto
6 comentáriosCaros Amigos, alguém terá o contacto do tradutor de polaco Sérgio das Neves?
E já agora passem a palavra: precisarei de tradutores de polaco, húngaro, sueco, norueguês, dinamarquês, russo, italiano,japonês, chinês e todas as línguas menos comuns de que se lembrem.
read more “Um blogue também serve para isto”
E já agora passem a palavra: precisarei de tradutores de polaco, húngaro, sueco, norueguês, dinamarquês, russo, italiano,japonês, chinês e todas as línguas menos comuns de que se lembrem.
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