Livros do Ano 2010

Estava a tentar fazer uma lista contida, juro. Mas este ano teve mesmo coisas muito boas. Foi um grande ano cheio de grandes livros. O mercado está a subir na qualidade global das edições e isso agrada-me. Também me agrada ter alguns livros por mim publicados que, não fosse o mau aspecto, colocaria sem hesitações aqui nesta lista.

E no fim de contas em que resultou esta situação de tentar fazer uma lista contida? Numa listagem enorme de coisas boas que não consegui tirar.da longlist.

Assim - e este ano sem imagens - aqui vão os meus [34] livros do ano de 2010:

Os passos perdidos
Alejo Carpentier
Camões & companhia

Edição & Editores - O mundo do livro em Portugal (1940-1970)
Nuno Medeiros
ICS

Parrot e Olivier na América
Peter Carey
Gradiva

O castelo de Gormenghast
Mervyn Peake
Saída de Emergência

Colum McCann
Deixa o grande mundo girar
Civilização
(li em inglês, não sei o estado da tradução portuguesa)

Bibliotecas cheias de fantasmas
Jacques Bonnet
Quetzal

Klas Östergen
Gangsters
Estampa
(Já li este livro, também parte de uma trilogia nórdica - para mim e de longe melhor que o Stieg Larsson - há uns anos, creio que este livro é de 2010, se não for não faz mal)

Subway Life
António Jorge Gonçalves
Assírio&Alvim

Livro rosé de sua santidade o camarada-presidente Vieira
Assírio&Alvim

A viagem do Beagle
Charles Darwin
Relógio d'Água

Contos
Ambrose Bierce
Saída de Emergência
&
Contos Completos
Ambrose Bierce
Eucleia

Adoecer
Hélia Correia
Relógio d'Água

A Primavera há-de chegar Bandini
John Fante
Ahab

O jogador de râguebi
Óscar Bustamante
Bizâncio

Uma viagem à Índia
Gonçalo M. Tavares
Caminho
(não é para ser do contra, mas gostei mesmo mais...)

Homens, espadas e tomates
Rainer Dernhardt
Zéfiro

De espécie complicada
Abel Barros Baptista
Angelus Novus

Brevíssimo Inventário
Marcello Duarte Mathias
Dom Quixote

Divórcio em Buda
Sandor Marai
Dom Quixote

Nasci para Nascer
Pablo Neruda
Europa-América
(li em castelhano, não sei da qualidade da tradução)

O passado
Alan Pauls
Dom Quixote

O fim do império romano
Adrian Goldsworth
Esfera dos Livros

Escritos pornográficos
Boris Vian
Guerra & Paz

Um mundo deste tamanho
Pedro Cotrim
Centro Atlântico

Os objectos chamam-nos
Juan José Millás
Planeta
(uma das piores capas do ano)

Os livros que devoraram o meu pai
Afonso Cruz
Caminho

Popville
Boisrobert & Rigaud
Bruáa

História política do diabo
Daniel Defoe
Guerra & Paz

A arte de dar peidos
Pierre Thomas-nicolas Hurtaut
Orfeu Negro

Livro
José Luís Peixoto
Quetzal

Quinze dias no deserto americano
Alexis de Tocqueville
Angelus Novus

A assombrosa viagem de Pompónio Flato
Eduardo Mendoza
Sextante

Memórias
Rómulo de Carvalho
Fundação Calouste Gulbenkian

Viva México
Alexandra Lucas Coelho
Tinta da China

Para a melhor capa do ano, embora o livro, sendo bom, não seja dos meus favoritos:

Ágape, agonia
William Gaddis
Ahab

6 comentários:

éMe disse...

Só tu para por um livro com o nome A arte de dar peidos numa lista dos melhores...Já a Vida sexual do Immanuel Kant foi o que foi ;) Curioso após tantos anos encontrar-te no google quando estou a tentar cuscuvilhar coisas da C.F. Juan Rulfo...sabes como é...

Manuel disse...

Atrevo-me a acrescentar mais um:

"DE AMOR ARDEM OS BOSQUES" de poeta MARIA AZENHA.



Manuel Taveira

Hugo Xavier disse...

Caro Manuel, desconheço esse. Irei tentar lê-lo.

Obrigado pela sugestão.

Caro(a) éMe,
Bem... não sei. Tem de me dar mais pistas.

Anónimo disse...

Já agora, um reparo sobre o MR ARKADIN que a Ulisseia publicou recentemente: dá-se o simples de facto de NÃO ser um livro escrito por Orson Welles, mas sim uma novelização do filme que Welles dirigiu e do qual nunca se viu uma versão completa. Leia aqui: http://www.wellesnet.com/?p=1230. Recomenda-se também a leitura de "This is Orson Welles", em que por palavras do próprio se conta essa história. A Ulisseia, assim, vende gato por lebre.

Luísa Telles V.
Lisboa

Hugo Xavier disse...

Cara Luísa,
A resposta ao seu outro comentário aplica-se também aqui e com um acrescento no final.

Cara Luísa,
O contrato de direitos obriga-me, como à editora original, a usar o nome de Welles (será que foi um meio do tal Maurice Bessy ganhar dinheiro? - shame on him).
Em segundo lugar John Baxter no prefácio a esta edição explica as muitas dúvidas sobre essa autoria, afinal Bessy só o afirmou após a morte de Welles.
É sempre melhor não acusar sem saber pois pode ficar-se mal visto, não acha? Chamar alguém de mentiroso e dizer o que diz é feio. Não escondo os meus contactos, para a próxima vez que achar que eu tenha lesado a cultura, escreva-me ou telefone. hugo_xavier@yahoo.com

Já agora Luísa, acha que se não fosse pelo génio de Welles alguém escreveria aquele livro?

Anónimo disse...

"Já agora Luísa, acha que se não fosse pelo génio de Welles alguém escreveria aquele livro?"

Caro Hugo,

deixe-se desses misticismos. O seu negócio é vender livros, e a implícita relação de confiança com os seus compradores obriga-o a um critério de objectividade, qualidade e fiabilidade no que põe à venda.

Não chega ir à Amazon em busca de livros de "génios" do cinema. Já lhe sugeri o livro a ler e o site a consultar antes de se meter de novo a publicar "romances" do Welles (isto é ironia, Hugo, calma: o Welles, além de um livro infantil escrito e desenhado por ele para a sua filha Beatrice, "Les Bravades", não escreveu qualquer romance).

Luisa Telles V.
Lisboa

Enviar um comentário